Há inúmeros pontos de vista a respeito daquilo que é correto socialmente. Surgem termos “politicamente corretos” que passam a ser usados como se estivessem realmente transformando a sociedade em algo melhor. Ficam as palavras, geralmente desprovidas de uma realidade que lhes dê embasamento e atitude, e no fundo, além do discurso, absolutamente nada muda. A mudança não surge a partir de um novo vocabulário, pois tanto faz que tipo de palavra você use. Caso não sinta da maneira correta, não modifique a alma, a essência, nada terá mudado.
Continuamos a viver uma ilusão de estar mudando o mundo, tornando-o melhor, e trazendo mais e maiores ilhas de isolamento e fragmentação da sociedade.
Vegano, vegetariano, religioso, ateu e tantos outros “modismos” e MODISMOS, além de não transformar as pessoas em algo melhor, segmentam a sociedade causando mais fraturas e dificuldades de convivência e diálogo social.
Educação e história são desprezadas e o foco maior tem sido dado para a punição. Coisas como “prisão para quem maltrata animais”, multas aleatórias para infrações diversas, penas sem elementos educativos entre outras coisas.
Não estou dizendo aqui, que a punição, que o poder coercitivo do Estado deva ser eliminado, mas, não pode ser o único foco, o único ato. A educação, elemento que realmente pode modificar algo, é deixada geralmente de lado.
Termos são misturados a fatores irreais. Não existem pessoas vegetarianas e carnívoras, mas vegetarianas e onívoras.
A questão do vegetarianismo excede a lógica e tenta se impor como uma salvação. Basta comer vegetais e você será uma pessoa melhor. Desconsidera-se totalmente o fato da falta de alimentos na maior parte do mundo, a incapacidade das pessoas para uma dieta saudável, seja ela vegetariana ou não. QUASE NINGUÉM SABE SE ALIMENTAR DE FORMA CORRETA. Todavia, não vamos esquecer que uma alimentação correta é MUITO cara e pouco acessível a todos.
A mesma problemática surge em relação às religiões. Você pode apresentar comentários com imagens de santos ou Deuses, com metáforas bíblicas acompanhando, porém não pode fazer críticas ou ironias. E TODOS dizem que respeitam a todos. Estamos condenados a ser livres e precisamos aprender a lidar com a liberdade.
De forma geral, a sua religião é sempre melhor que a do outro...
- uma pessoa não é melhor ou pior por comer ou não carne;
- uma pessoa não é melhor ou pior por ter ou não uma religião;
- uma pessoa é uma pessoa e ela pode ou não ser boa. (simples assim).
Existe a necessidade de uma análise contextual abordando sociologia, antropologia e história, e assim, pensarmos em possíveis mudanças sociais e maior tolerância.
Pessoas criticam a China de forma agressiva, desconsiderando coisas básicas. No Brasil ainda temos a farra do boi, cometemos inúmeros tipos de crueldade com os animais e não somos capazes de resolver esta questão interna. Todavia, de forma arrogante, criticamos atitudes de outros países, sem considerar sua cultura, educação, necessidades e outros tantos elementos que um dia poderão ser modificados. Queremos ser ditadores em território estrangeiro impondo as nossas verdades. Mesmo em São Paulo, uma grande metrópole, a maior parte da população desconhece o que é posse responsável, e ainda assim, queremos mudar um país distante.
O pensamento do homem REAL virá das idéias que são os agentes fundamentais que podem transformar a história. Este tipo de idéia pode ser encontrada em Marx e Engels de forma genial.
As idéias de forma geral, assim como o seu desenvolvimento, surgem da evolução material do homem, assim sendo, a história das idéias precisa ser vivida por “homens reais e vivos” que lutam por sua sobrevivência e com a vivência criam as relações.
Temos que considerar então: filosofia, religião, valores morais (ainda que os éticos sejam melhores), leis, pois lidamos com elas e contamos com estas como instrumentos que podem gerar também mudanças, e resumidamente, tudo leva a uma formação da mentalidade social. Então, é na realidade material que teremos as idéias e é com a educação que as conseguiremos.
São os homens que desenvolvem a sua produção material e o seu intercâmbio material que, ao mudarem essa sua realidade, mudam também o seu pensamento e os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, é a vida que determina a consciência. (MARX, ENGELS)
A EDUCAÇÃO, pensada por Marx, não é independente ou desvinculada da realidade MATERIAL do homem, o que deve ser pensado e considerado como parte do processo educativo e o homem, dentro deste processo é um ser abstrato onde, as idéias gerais da humanidade dentro do processo educativo devem ser trabalhadas levando em conta a problemática histórica da época social e todos os elementos que fazem parte dela.
Educar não é um ato arbitrário e exige etapas a serem aplicadas na evolução das relações vividas. Não há meio que possibilite desvincular as idéias e os interesses históricos das classes sociais onde se encontra o conhecimento sistematizado e tido como real, constituindo um resumo das relações sociais.
Os indivíduos que constituem a classe dominante possuem, entre outras coisas, uma consciência, e é em consequência disso que pensam; na medida em que dominam enquanto classe e determinam uma época histórica em toda extensão, é lógico que esses indivíduos dominem em todos os sentidos, que tenham, entre outras, uma posição dominante como seres pensantes, como produtores de idéias, que regulamentem a produção e distribuição dos pensamentos de sua época; as suas idéias são, portanto, as idéias dominantes de sua época. . (MARX, ENGELS).
A educação é então herdada e esta herança é o conhecimento já pronto e sistematizado das gerações que antecederam. Não adianta tentar impor, atropelar, criticar cruelmente, pois tais atitudes retardam qualquer aprendizado e mudança comportamental.
Os homens fazem sua própria História, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstância de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como pesadelo o cérebro dos vivos. (MARX).
Então, temos pela valoração de Marx e Engels, uma ligação direta entre o desenvolvimento material do mundo e os interesses das classes, e além disso, o valor do papel político que transforma a sociedade por uma eventual prática libertadora que pode modificar a mentalidade e construir uma ordem social nova.
A emancipação do homem, a possibilidade deste se tornar melhor, livre de ilusões e ideologias impostas deve vir de uma práxis modificadora do mundo, e o processo é lento e doloroso.
Por ora, resta tentar aprender a viver e modificar o mundo pela educação. Agir somente na linha final, prendendo, punindo, criticando, já se mostrou altamente ineficaz e irreal, apesar de nem todos terem notado isso.
Muitas das coisas hoje impostas como corretas são modismos e logo desaparecerão. Todavia, lembre também que muitas coisas tidas como corretas hoje, foram condenadas no passado.
Pense nisso!
O que é filosofia? Não é apenas contemplação, ou a forma de transmitir idéias. Não é tão pouco somente a reflexão sobre determinada coisa. É o funcionamento dirigido ao conhecimento ilimitado e a um estilo de vida. A filosofia é uma reação intelectual para o caos que ameaça a inteligência e a vida.
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domingo, 27 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Crônica de uma cantora lírica tupiniquim
Crônica de uma cantora lírica tupiniquim
Quero através desta expressar e dividir minhas indignações profissionais atuais. Eu, enquanto cantora lírica no país do rebolation, venho convocar meus companheiros e companheiras de classe operária – a musicista – nessa luta pelo reconhecimento de nosso valor profissional.
Só não quero ter que perder o dedinho, porque vai que isso afeta minha voz...Cantor tem dessas coisas; toma coca-cola quente (delíiiicia!!), porque gelado pode fazer mal, e o cara tem que cantar num concerto sábado. Melhor prevenir. Por via das dúvidas, melhor parar de tomar leite, comer chocolate, por causa do pigarro. Já que moramos numa cidade bem poluída, melhor tomar muita água mesmo, 5 goles a cada frase, pra sujeira sair vaso sanitário abaixo. Tem muito cantor hidráulico por aí. Conheço até um que tem um baita desvio de septo. O otorrino disse que não sabe como ele respira, melhor operar. “Não, doutor! Vai mexer com minha ressonância!”. E lá se vão noites e noites de respiração dificultosa, inalação, spray disso, remédio d’aquilo, chá de folha de sei-lá-o-que. Falaram que faz bem, Pavarotti fazia.
Mas o fato é, minha gente, que carece esclarecer e desmistificar um fato: cantor também é músico. Pronto, falei. Por que cargas d’água ainda (ainda!) se acha que nós abrimos a boca e cantamos, por pura inspiração divina ou alguma psicografia às avessas (ou psicofonia?). É certo que cantor não estuda 8 horas por dia, como muitos amigos instrumentistas por aí; até por que, se o infeliz faz isso, a carreira não dura um mês. É duro, gente, chama-se musculatura. Mas porque diabos a gente se acaba de estudar pra entrar numa universidade – pública, lógico. Desde quando músico tem dinheiro pra bancar faculdade? – passa horas estudando técnica vocal, história da música, harmonia, contraponto (sim, até isso! Vai que te contratam pra cantar ars antiqua ou algum moteto, madrigal por aí, a gente tem que estar pronto pra tudo hoje em dia! Time is Money!), análise...Análise! lembro que no 1º ano do Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica... Uau! Vou escrever de novo porque esse título soa muito bonito, fala a verdade: Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica...Mas voltando à análise, lembro-me de no meu inocente 1º ano surtar por causa da maldita análise. Quase fui eu própria para a análise. E o 4º ano? Recital de formatura! Tcc! Perdi uns bons 3 quilos, por causa do maldito fim de curso. O que minha nutricionista diria? “Você está abaixo do peso, garota! Vá fazer Engenharia e arranje um emprego!”. E lá vamos nós decorar canção em polonês, russo, tcheco, fora as normais, que cantor tem mais que obrigação de saber mesmo: italiano, inglês, latim, alemão, francês. E como é que raios eu vou saber como é que se pronuncia Ma pisen zás mi laskou zni kdyz stary den umira ? Dá-lhe transcrição fonética. Dois anos do Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica para aprender os tais símbolos fonéticos universais. Benditos! Não fossem eles, o que seria de nós, pobres cantores, que inventamos de cantar em tcheco? Dvorak bem podia ter escrito as Canções Ciganas em italiano, latim.
Fora isso, o que dizer das horas em frente à tela do youtube, assistindo 40 versões diferentes daquela bendita ária que você vai cantar num concerto no município da Paçoquinha do Sul, que alguém te passou sabe deus como. “Não tem cachê não, mas vai ter lanche!”. E lá vamos nós, pelo menos fome não vamos passar, e ainda tem a boa (tomara) experiência de cantar com a tal orquestra juvenil da cidade de Paçoquinha do Sul. Vamos lá, somos todos estudantes! Eu mesma já fiz muita coisa de graça, por puro amor a arte e que me deram muito prazer e orgulho. Cantei uma vez a 9ª de Beethoven numa igrejinha m Santo André que tinha umas 1.500 pessoas empilhadas quase até o teto. Foi lindo! As lágrimas rolavam.
Então, depois de 4 anos que pareceram uma eternidade, fora os outros tantos e tantos anos que você estudou antes da Universidade – afinal, universidade, não é curso elementar, minha gente, já se entra lá sabendo – em que você estressou, arrancou os cabelos, entrou em pânico pela faringite que você pegou bem na semana do teu recital, depois de muito gastar com aula particular – e vai gastar pelo resto da vida, viu? Sinto muito dizer, é um aprendizado eterno. Ninguém simplesmente ‘se forma’ – isso sem falar em fonoaudiólogo! Pelo amor, nem vou entrar nesse assunto. Cantor é cheio das crises: minha voz quebrou naquele mi 5 de 9 tempos que cantei no fim daquela ária do final do recital. No dia seguinte, lá está o infeliz sentado com um fio entrando pelo nariz e uma câmera na goela. Melhor prevenir. Por via das dúvidas, sai de casa naquele calor de 36 graus com uma echarpe enrolada no pescoço. Está um ventinho lá fora, melhor não pegar friagem. Então, depois de muito estudo, muito tempo, muito empenho, muito dinheiro gasto, vem a parte boa: vamos ganhar dinheiro com nossa arte! Mais que merecido, fala a verdade!
O bom é que as notícias circulam muito rápido: vai haver um teste para cantores para um coral sei la do que, sei la onde, sei la quanto. E lá você encontra todos os cantores da cidade, porque afinal, não tem tanto emprego assim, e quando aparece, vai todo mundo mesmo. Daí você prepara sua melhor ária, acorda as 6h da manhã, que é pra voz ‘subir’, veste roupa de audição e canta tudo. A grana era boa, mas você não passa. Tudo bem, haverá outros e lá estaremos todos novamente. Aí você passa! Olha, serão 58 ensaios, 12 apresentações e o cachê é $ 150. Daí você pensa: eu devia ter feito aquela análise no 1º ano do Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica. Seria bem útil agora. Querem que você cante por $10 a hora, porque, afinal, é só abrir a boca e cantar, não precisa muita coisa. E você tem que engolir que aquele seu amigo violinista vai receber pelo mesmo trabalho, uns 2.500, com a diferença q ele vai ter menos da metade dos 58 ensaios, afinal ele é um profissional. É, quem mandou não estudar 8h por dia? O cara é músico, você é cantor. Singela diferença. Há? Velho mito de que qualquer um pode cantar, não discordo totalmente dessa ideia tão orfeônica, por assim dizer, salvas algumas considerações que aqui não cabem, mas se pretensamente se quer tirar a música erudita brasileira do amadorismo, há que se começar valorizando os profissionais da área, inclusive os incipientes. Ou vamos encher os palcos com pessoas da platéia que queiram ao invés de assistir, participar ativamente e fazer uma bela leitura a primeira vista de um Verdi qualquer. Precisa ser músico não, nem cantor. É só abrir a boca e deixar a emoção fluir. O mais triste, se é possível imaginar, é que nós cantores temos a propensão de aceitar. Nesse ponto, meus amigos instrumentistas são bem mais unidos. Deu a hora do fim do ensaio, pegam seu instrumento e vão embora. Cantor fica lá tomando bronca de regente, assistente, produtor, diretor cênico, maquiador, figurinista, faxineira, cabeleireiro e quem mais estiver presente até a hora que alguém apagar a luz e fechar as portas do teatro e dispensar o coro. E não se atrase amanhã! 90 dias depois da última récita seu cachê de $200 estará a sua disposição. O que eu não entendo é porquê. Se a própria classe não se valoriza, quem valorizará? Se nós não assumirmos nossa postura de profissionais que somos, quando sairemos desse pseudo amadorismo? Desculpe-me, mas por $10 por hora eu fico em casa apreciando o DVD da mais nova montagem de Carmem que comprei, que, aliás, me custou $150, e vou aprender bastante com isso. Porque cantor não ‘assiste’ ópera, estuda as personagens, o enredo, a orquestração e todo o resto. Paga-se em média 10 vezes isso em míseros 60 minutos de uma aula de canto com um bom professor. Aula essa para a qual você precisa se preparar bem antes, ou ela vai ser ruim e você gastará dinheiro à toa. Ainda dá pra dar aquela estudadinha no modus novus antes de dormir. Um solfejinho nunca é demais, a gente tem que ler mesmo.
Apesar de tudo, eu acredito no futuro da nossa música erudita. Os teatros estão cada vez mais cheios, cada vez mais se investe em montagens de óperas, concertos, orquestras, formação de público. Só espero estar viva para usufruir disso.
É, acho que antes do mestrado eu faço aquela análise.
Angélica Mz.
Quero através desta expressar e dividir minhas indignações profissionais atuais. Eu, enquanto cantora lírica no país do rebolation, venho convocar meus companheiros e companheiras de classe operária – a musicista – nessa luta pelo reconhecimento de nosso valor profissional.
Só não quero ter que perder o dedinho, porque vai que isso afeta minha voz...Cantor tem dessas coisas; toma coca-cola quente (delíiiicia!!), porque gelado pode fazer mal, e o cara tem que cantar num concerto sábado. Melhor prevenir. Por via das dúvidas, melhor parar de tomar leite, comer chocolate, por causa do pigarro. Já que moramos numa cidade bem poluída, melhor tomar muita água mesmo, 5 goles a cada frase, pra sujeira sair vaso sanitário abaixo. Tem muito cantor hidráulico por aí. Conheço até um que tem um baita desvio de septo. O otorrino disse que não sabe como ele respira, melhor operar. “Não, doutor! Vai mexer com minha ressonância!”. E lá se vão noites e noites de respiração dificultosa, inalação, spray disso, remédio d’aquilo, chá de folha de sei-lá-o-que. Falaram que faz bem, Pavarotti fazia.
Mas o fato é, minha gente, que carece esclarecer e desmistificar um fato: cantor também é músico. Pronto, falei. Por que cargas d’água ainda (ainda!) se acha que nós abrimos a boca e cantamos, por pura inspiração divina ou alguma psicografia às avessas (ou psicofonia?). É certo que cantor não estuda 8 horas por dia, como muitos amigos instrumentistas por aí; até por que, se o infeliz faz isso, a carreira não dura um mês. É duro, gente, chama-se musculatura. Mas porque diabos a gente se acaba de estudar pra entrar numa universidade – pública, lógico. Desde quando músico tem dinheiro pra bancar faculdade? – passa horas estudando técnica vocal, história da música, harmonia, contraponto (sim, até isso! Vai que te contratam pra cantar ars antiqua ou algum moteto, madrigal por aí, a gente tem que estar pronto pra tudo hoje em dia! Time is Money!), análise...Análise! lembro que no 1º ano do Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica... Uau! Vou escrever de novo porque esse título soa muito bonito, fala a verdade: Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica...Mas voltando à análise, lembro-me de no meu inocente 1º ano surtar por causa da maldita análise. Quase fui eu própria para a análise. E o 4º ano? Recital de formatura! Tcc! Perdi uns bons 3 quilos, por causa do maldito fim de curso. O que minha nutricionista diria? “Você está abaixo do peso, garota! Vá fazer Engenharia e arranje um emprego!”. E lá vamos nós decorar canção em polonês, russo, tcheco, fora as normais, que cantor tem mais que obrigação de saber mesmo: italiano, inglês, latim, alemão, francês. E como é que raios eu vou saber como é que se pronuncia Ma pisen zás mi laskou zni kdyz stary den umira ? Dá-lhe transcrição fonética. Dois anos do Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica para aprender os tais símbolos fonéticos universais. Benditos! Não fossem eles, o que seria de nós, pobres cantores, que inventamos de cantar em tcheco? Dvorak bem podia ter escrito as Canções Ciganas em italiano, latim.
Fora isso, o que dizer das horas em frente à tela do youtube, assistindo 40 versões diferentes daquela bendita ária que você vai cantar num concerto no município da Paçoquinha do Sul, que alguém te passou sabe deus como. “Não tem cachê não, mas vai ter lanche!”. E lá vamos nós, pelo menos fome não vamos passar, e ainda tem a boa (tomara) experiência de cantar com a tal orquestra juvenil da cidade de Paçoquinha do Sul. Vamos lá, somos todos estudantes! Eu mesma já fiz muita coisa de graça, por puro amor a arte e que me deram muito prazer e orgulho. Cantei uma vez a 9ª de Beethoven numa igrejinha m Santo André que tinha umas 1.500 pessoas empilhadas quase até o teto. Foi lindo! As lágrimas rolavam.
Então, depois de 4 anos que pareceram uma eternidade, fora os outros tantos e tantos anos que você estudou antes da Universidade – afinal, universidade, não é curso elementar, minha gente, já se entra lá sabendo – em que você estressou, arrancou os cabelos, entrou em pânico pela faringite que você pegou bem na semana do teu recital, depois de muito gastar com aula particular – e vai gastar pelo resto da vida, viu? Sinto muito dizer, é um aprendizado eterno. Ninguém simplesmente ‘se forma’ – isso sem falar em fonoaudiólogo! Pelo amor, nem vou entrar nesse assunto. Cantor é cheio das crises: minha voz quebrou naquele mi 5 de 9 tempos que cantei no fim daquela ária do final do recital. No dia seguinte, lá está o infeliz sentado com um fio entrando pelo nariz e uma câmera na goela. Melhor prevenir. Por via das dúvidas, sai de casa naquele calor de 36 graus com uma echarpe enrolada no pescoço. Está um ventinho lá fora, melhor não pegar friagem. Então, depois de muito estudo, muito tempo, muito empenho, muito dinheiro gasto, vem a parte boa: vamos ganhar dinheiro com nossa arte! Mais que merecido, fala a verdade!
O bom é que as notícias circulam muito rápido: vai haver um teste para cantores para um coral sei la do que, sei la onde, sei la quanto. E lá você encontra todos os cantores da cidade, porque afinal, não tem tanto emprego assim, e quando aparece, vai todo mundo mesmo. Daí você prepara sua melhor ária, acorda as 6h da manhã, que é pra voz ‘subir’, veste roupa de audição e canta tudo. A grana era boa, mas você não passa. Tudo bem, haverá outros e lá estaremos todos novamente. Aí você passa! Olha, serão 58 ensaios, 12 apresentações e o cachê é $ 150. Daí você pensa: eu devia ter feito aquela análise no 1º ano do Bacharelado em Música com habilitação em Canto e Arte Lírica. Seria bem útil agora. Querem que você cante por $10 a hora, porque, afinal, é só abrir a boca e cantar, não precisa muita coisa. E você tem que engolir que aquele seu amigo violinista vai receber pelo mesmo trabalho, uns 2.500, com a diferença q ele vai ter menos da metade dos 58 ensaios, afinal ele é um profissional. É, quem mandou não estudar 8h por dia? O cara é músico, você é cantor. Singela diferença. Há? Velho mito de que qualquer um pode cantar, não discordo totalmente dessa ideia tão orfeônica, por assim dizer, salvas algumas considerações que aqui não cabem, mas se pretensamente se quer tirar a música erudita brasileira do amadorismo, há que se começar valorizando os profissionais da área, inclusive os incipientes. Ou vamos encher os palcos com pessoas da platéia que queiram ao invés de assistir, participar ativamente e fazer uma bela leitura a primeira vista de um Verdi qualquer. Precisa ser músico não, nem cantor. É só abrir a boca e deixar a emoção fluir. O mais triste, se é possível imaginar, é que nós cantores temos a propensão de aceitar. Nesse ponto, meus amigos instrumentistas são bem mais unidos. Deu a hora do fim do ensaio, pegam seu instrumento e vão embora. Cantor fica lá tomando bronca de regente, assistente, produtor, diretor cênico, maquiador, figurinista, faxineira, cabeleireiro e quem mais estiver presente até a hora que alguém apagar a luz e fechar as portas do teatro e dispensar o coro. E não se atrase amanhã! 90 dias depois da última récita seu cachê de $200 estará a sua disposição. O que eu não entendo é porquê. Se a própria classe não se valoriza, quem valorizará? Se nós não assumirmos nossa postura de profissionais que somos, quando sairemos desse pseudo amadorismo? Desculpe-me, mas por $10 por hora eu fico em casa apreciando o DVD da mais nova montagem de Carmem que comprei, que, aliás, me custou $150, e vou aprender bastante com isso. Porque cantor não ‘assiste’ ópera, estuda as personagens, o enredo, a orquestração e todo o resto. Paga-se em média 10 vezes isso em míseros 60 minutos de uma aula de canto com um bom professor. Aula essa para a qual você precisa se preparar bem antes, ou ela vai ser ruim e você gastará dinheiro à toa. Ainda dá pra dar aquela estudadinha no modus novus antes de dormir. Um solfejinho nunca é demais, a gente tem que ler mesmo.
Apesar de tudo, eu acredito no futuro da nossa música erudita. Os teatros estão cada vez mais cheios, cada vez mais se investe em montagens de óperas, concertos, orquestras, formação de público. Só espero estar viva para usufruir disso.
É, acho que antes do mestrado eu faço aquela análise.
Angélica Mz.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
POSSE RESPONSÁVEL DE ANIMAIS
Não é difícil nos dias atuais encontrarmos temas relacionados à questão da posse de animais. Muitas das abordagens, na verdade, estão voltadas ao simples fato de haver responsabilidade, o que na verdade, no final do raciocínio, está ligado a evitar riscos para os humanos, desde doenças a ataques. Ou seja, a abordagem acaba sendo limitada ao egoísmo do próprio homem. Notem ainda, que posse trata de propriedade, e animais perante a lei, dependendo da situação, são realmente bens semoventes.
É difícil tratar do assunto relacionado a responsabilidade fora de um caráter relacionado a leis, pois para que muitas das coisas funcionem em proteção animal, necessitamos da coerção do Estado, porém quero destacar também outros aspectos que julgo tão importantes ou mais que a mera responsabilidade.
O tratamento que se dá a um animal não é melhor ou pior proporcionalmente à classe social onde este se encontra. Há moradores de favela que cuidam bem de animais, e pessoas de classe média e alta que abandonam os animais para não pagar hotel e poder viajar, entre tantos outros motivos.
Vivemos atualmente em um sistema doentio em qualquer aspecto social que possamos pensar. Falta uma política concreta de controle, falta união da sociedade, integração de associações protetoras com governos, clínicas veterinárias, faltam voluntários sérios e capazes de conscientizar, e o problema é de todos, de toda a sociedade.
Dentro da questão de conscientização, esbarramos em muitos mitos e também em preconceitos. Pessoas não querem castrar animais machos, alguns dizem que cães devem procriar pelo menos uma vez, etc. A castração, além de manter o controle populacional de animais, evita também o desenvolvimento de algum tipo de câncer, infecções, e também comportamentos de risco dos animais como em brigas, mordeduras, atropelamentos e outros.
Para se ter uma idéia da necessidade de castração:
Para cada humano que nasce, em média, nascem 15 cães e 45 gatos. Em aproximadamente seis anos, a partir de uma cadela, teremos 64 descendentes e, a partir da gata, algo por volta de 420 mil.
Não há como esperar que se consiga doações, pessoas que querem animais, em uma proporção como essa. A longo prazo teremos animais demais expostos a atrocidades que prefiro não descrever.
Abrigos para animais não solucionam nada e acabam se tornando depósitos. Não há razão para se iludir pensando em uma saída como essa.
A adoção de um animal exige conscientização. Doar um animal não é se desfazer dele deslocando-o para outro lugar. O mais importante passo não está em somente conseguir um lar qualquer, mas fazer com que o adotante compreenda que além da responsabilidade, há um compromisso com a vida. O abandono deve ser tratado como aquilo que ele realmente é, algo desprezível, algo que diz muito sobre aquele que cometeu o ato de abandonar. Tal tipo de pessoa deve ser socialmente marginalizada.
Não deixe de considerar que animais são inteligentes, sentem dor, fome, precisam de carinho, tem sentimentos, quem convive com eles sabe disso tudo. Animais vivem o hoje, somente o presente, não tem planos, não pensam em futuro e são verdadeiros sempre. Possuem sua organização e muitas vezes não são bem compreendidos.
"O Homem tem feito na Terra um inferno para os animais." Arthur Schopenhauer
Então, temos muito o que fazer, e talvez a questão da “posse responsável” deva ser melhor desenvolvida e transformada em algo como “RESPONSABILIDADE PELA VIDA”.
Nossa incoerência não pode ser inconseqüente. Não ignore a dor de seres vivos, não importa de que ser falamos.
“A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Arthur Schopenhauer
É difícil tratar do assunto relacionado a responsabilidade fora de um caráter relacionado a leis, pois para que muitas das coisas funcionem em proteção animal, necessitamos da coerção do Estado, porém quero destacar também outros aspectos que julgo tão importantes ou mais que a mera responsabilidade.
O tratamento que se dá a um animal não é melhor ou pior proporcionalmente à classe social onde este se encontra. Há moradores de favela que cuidam bem de animais, e pessoas de classe média e alta que abandonam os animais para não pagar hotel e poder viajar, entre tantos outros motivos.
Vivemos atualmente em um sistema doentio em qualquer aspecto social que possamos pensar. Falta uma política concreta de controle, falta união da sociedade, integração de associações protetoras com governos, clínicas veterinárias, faltam voluntários sérios e capazes de conscientizar, e o problema é de todos, de toda a sociedade.
Dentro da questão de conscientização, esbarramos em muitos mitos e também em preconceitos. Pessoas não querem castrar animais machos, alguns dizem que cães devem procriar pelo menos uma vez, etc. A castração, além de manter o controle populacional de animais, evita também o desenvolvimento de algum tipo de câncer, infecções, e também comportamentos de risco dos animais como em brigas, mordeduras, atropelamentos e outros.
Para se ter uma idéia da necessidade de castração:
Para cada humano que nasce, em média, nascem 15 cães e 45 gatos. Em aproximadamente seis anos, a partir de uma cadela, teremos 64 descendentes e, a partir da gata, algo por volta de 420 mil.
Não há como esperar que se consiga doações, pessoas que querem animais, em uma proporção como essa. A longo prazo teremos animais demais expostos a atrocidades que prefiro não descrever.
Abrigos para animais não solucionam nada e acabam se tornando depósitos. Não há razão para se iludir pensando em uma saída como essa.
A adoção de um animal exige conscientização. Doar um animal não é se desfazer dele deslocando-o para outro lugar. O mais importante passo não está em somente conseguir um lar qualquer, mas fazer com que o adotante compreenda que além da responsabilidade, há um compromisso com a vida. O abandono deve ser tratado como aquilo que ele realmente é, algo desprezível, algo que diz muito sobre aquele que cometeu o ato de abandonar. Tal tipo de pessoa deve ser socialmente marginalizada.
Não deixe de considerar que animais são inteligentes, sentem dor, fome, precisam de carinho, tem sentimentos, quem convive com eles sabe disso tudo. Animais vivem o hoje, somente o presente, não tem planos, não pensam em futuro e são verdadeiros sempre. Possuem sua organização e muitas vezes não são bem compreendidos.
"O Homem tem feito na Terra um inferno para os animais." Arthur Schopenhauer
Então, temos muito o que fazer, e talvez a questão da “posse responsável” deva ser melhor desenvolvida e transformada em algo como “RESPONSABILIDADE PELA VIDA”.
Nossa incoerência não pode ser inconseqüente. Não ignore a dor de seres vivos, não importa de que ser falamos.
“A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Arthur Schopenhauer
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
PAIS E FILHOS

Apreciar o mundo, entender fatos atuais, intrometer-se na especulação daquilo que pode mudar e como pode acontecer o processo é um dos princípios possíveis da filosofia.
Não são poucas as “lendas” a respeito de um filho único e/ou, além disso, filho de pais separados. Pelo senso comum, este tipo de criança tem proprensão a ser um problema, sendo mais caprichosa, tímida e geralmente tirânica com o pai (mãe), com dificuldades nas relações sociais do tipo relacionamento em grupo e apresentam uma certa rebeldia.
Na verdade, traços como os descritos acima podem ser encontrados em todas as crianças, com raras exceções, então, a questão do filho único depende na verdade da casualidade, possibilidades materiais (econômicas) e afetivas daquele que mais convive com a criança.
Segundo estatísticas, 53% das mães de filhos únicos desenvolve uma característica de ser excessivamente absorvente e possesiva, o que é um grande erro que, entre outros fatores, contribui para distúrbios de diversos tipos.
De forma geral, uma criança que é capaz de desenvolver possessividade, jogo, chantagem e outras coisas mais, é uma criança inteligente, ainda que cometa erros de lógica, de comportamento, e valoração. O fato de possuir um certo intelecto diferenciado também colabora com as dificuldades em se encaixar socialmente e lidar com problemas inesperados e eventualmente isso gera ansiedade e até alguma depressão.
A falta de um irmão e/ou outras crianças em um convívio contínuo certamente traz os problemas tão falados em todos os lugares, como a dificuldade para dividir tempo, atenção e coisas, muitas vezes tendendo ao isolamento ou formando laços fortes com o pai ou a mãe, ainda que os use como jogo em suas chantagens almejando a tirania, mas na verdade, isso reflete insegurança.
Na adolescência surgem conflitos diversos e há também uma tendência a se manter o traço infantil, onde alguns são submissos e outros se rebelam querendo uma independência e liberdade que não existem e sequer lhes é de direito nessa idade.
As estatístisticas com relação a este tipo de criança não são muito alentadoras e mostram que 42 % são mais emotivos, coléricos, agressivos e instáveis que outros e sentem dificuldade para se adaptar a diversos fatores como escola e conviver em grupo.
Mas, ater-se a estatísticas seria justificar o quadro, aceitando-o como ele é sem tentar promover mudanças que poderiam ser muito boas para todos, então, não deve-se permitir que o desânimo tome lugar ou aceitar as coisas prontas. O que realmente importa é a educação.
Atualmente é cada vez mais comum encontrarmos casais com só um filho ou casais separados. Segundo o IBGE, 8 em cada dez famílias possuem hoje este perfil, então cada vez mais se torna importante não banalizar o fato, pensando que “uma criança é assim mesmo” e partir para atitudes e mudanças que possam ser realmente construtivas.
Muitos pais acreditam que é bom poder dar tudo para os filhos e mantê-los em inúmeras atividades por todo o tempo. Um ser qualquer, que cresça com tanta facilidade, pensará que o mundo gira a seu redor, e a realidade está muito distante disso, então teremos uma criança chata e frustrada, que não sabe lidar com a realidade e um adulto problemático no futuro.
Um ser criado assim será provavelmente um eterno insatisfeito, não dará valor a nada e esperará tudo sempre pronto.
Devemos ser epicuristas, pois a felicidade não está na capacidade de consumo e o consumo desenfreado ainda poderá nos levar à ruína pessoal e na verdade, também do planeta.
Tudo o que é conseguido facilmente tem pouco valor, então limites devem ser impostos para tudo.
É muito importante que crianças convivam com crianças da mesma idade, pois é onde se desenvolvem valores de grupo, compreensão de moral e ética, capacidade de trocas, comparações, etc.
Os pais parecem também ter problemas com “acontecer alguma coisa” com seus filhos. Felizmente ou infelizmente, isso independe da vontade dos pais, exceto em poucas situações, onde o bom senso se faz necessário. Excesso de proteção é algo prejudicial e pensar que ele é possível é geralmente uma ilusão. Outro fator importante que faz com que os pais errem, é o sentimento de culpa, porém este além de não ser bom para quem sente, é danoso para o próximo pela incapacidade da vontade de mudar as coisas.
Um filho é um ser humano, não mais que isso. Deve-se acompanhar seu desenvolvimento, mas pensar que ele é melhor que outros, que é especial, não é real. Cada pai (mãe) deve ser também capaz de enxergar no filho o que não é bom, o que é errado, os traços específicos de cada ser.
Pais de forma geral não conseguem lidar bem com frustrações e daí, também desenvolvem a mesma dificuldade para permitir que um filho sofra. Para uma criança, um não com carinho porém firmeza é muito melhor que a permissividade.
A chantagem da criança surge exatametne dessa permissividade e ela transforma isso aos poucos em algo como uma lei. Quando dá certo, quando os pais permitem algo facilmente, a chantagem se registra e se mantém como instrumento de barganha, e isso é uma armadilha que transforma o pai ou mãe em reféns de uma situação.
Aceitar a chantagem pode ser mais fácil que suportar as conseqüências, como birra ou mau humor e isso também ameniza a culpa, porém as chantagens não param nunca, pois não é possível fazer tal tipo de criança um ser satisfeito. No futuro isso terá uma reverberação e consequências sérias para viver socialmente.
Quando o problema já está instalado, não é fácil modificar, porém é possível. Os limites devem ser claros e o pai / mãe devem tentar descobrir onde sentem mais dificuldade de dizer não. Necessáriamente a criança deve notar que as mudanças são sérias e que sem mudanças de comportamento além de nada ganhar será afetada e “prejudicada”. A possibilidade de barganha deve ser eliminada e a autoridade reestabelecida. Certamente em um primeiro momento haverá briga, porém deve se manter uma postura firme.
Ainda que o artigo não seja „profissional”, ainda que fosse não poderia e nem deveria ser apreciado literalmente. O grande valor das idéias expostas é a reflexão. Para uma orientação específica, e toda a orientação relativa a situações como as acima descritas deve ser específica, aconselho apenas, de coração, não aceitar as coisas como estão, especialmente no caso de não estarem boas. Então, reflita, lute, tente mudanças. A superação de muitos quadros que vivemos seria na verdade benéfica para todos, individualmente e socialmente.
Tadziu
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
PERDÃO - PARTE II

Perdão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa, decorrente de uma ofensa percebida, diferença ou erro, ou cessar a exigência de castigo ou restituição.
O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê a muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.
O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.
Existem religiões que incluem disciplinas sobre a natureza do perdão, e muitas destas disciplinas fornecem uma base subjacente para as várias teorias modernas e práticas de perdão.
Exemplo de ensino do perdão está na "parábola do Filho Pródigo" (Lucas 15:11–32).
Normalmente as doutrinas de cunho religioso trabalham o perdão sob duas óticas diferentes, que são:
• Uma ênfase maior na necessidade das faltas dos seres humanos serem perdoadas por Deus;
• Uma ênfase maior na necessidade dos seres humanos praticarem o perdão entre si, como pré-requisito para o aprimoramento espiritual.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Perd%C3%A3o
Recentemente com uma amiga, retomamos um assunto já postado aqui anteriormente, onde eu questionava a real possibilidade de perdoar, como sendo uma verdade plena.
O artigo anterior:
http://aideofobia.blogspot.com/2009/01/perdoar-per-donare-doao-de-si.html
A Thatiana mantém o valor do perdão muito agregado a valores religiosos, e quem sabe, aquele que realmente em fé, “consiga” perdoar, pois este perdão se dá em Deus. Por ser cético e compreender o espírito humano de outra maneira, não vejo tal perdão acontecendo (dependendo do ato a ser perdoado), seja em Deus ou na alma do indivíduo.
Este artigo comenta um texto chamado “O poder do perdão” de Ágata Székely, publicado na Revista Seleções. A íntegra pode ser lida pelo link:
http://www.selecoes.com.br/revista/5621/O-poder-do-perdao.html
A autora menciona Elton John e diz que além de ser difícil perdoar, perdão é uma palavra mal-entendida.
A valoração que ela dá ao perdão em um primeiro momento, trata somente de eventuais superficialidades, nada de realmente importante e coloca o perdão como necessário para não se sentir o rancor, que é algo que nos incomoda no presente.
A grande questão é: podemos sublimar a lembrança, podemos desconsiderar a pessoa e nos afastar dos sentimentos ruins que determinado ato nos causou, sem que seja necessário perdoar. Perdoar não é o único instrumento que nos permite um alívio da alma, ainda que seja um deles.
Fred Luskin, psicólogo da Universidade de Standford afirma que os problemas devem ser solucionados. Concordo plenamente, até pelo fato de um problema sem solução não ser um problema. Ele diz ainda que o perdão é para nós mesmos e não para quem nos ofendeu. Certo, mas isso encerra a questão do perdão vista por uma ótima religiosa, e transforma o perdão em uma outra coisa, do tipo sublimar, não lembrar, não permite reconciliação, o que não está fora dos conceitos que apresentei para perdão, ou se recoloca semanticamente em uma nova interpretação.
Segundo Luskin:
“[...] o perdão serve para relaxarmos e não significa que o agressor “se dê bem”, nem que aceitamos algo injusto. Ao contrário, significa não sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão.”
Perfeito, realmente não faz sentido manter sentimentos que nos tragam angústia, então, assim como tantas outras coisas que precisamos “esquecer”, este tipo de perdão pode e deve ser instaurado em nós sempre que necessário.
O exemplo citado pela autora relacionado ao Capitão John Plummer não é um bom exemplo para perdão. É uma situação específica, onde alguém recebe ordens, e em uma guerra tais atos são comuns. Não haveria hoje convivência pacífica na Europa se um tipo de perdão deste gênero fosse realmente necessário. Tentei tratar o perdão em relações mais próximas e pessoais. Situações limite como uma guerra, trazem a possibilidade de “distribuição de culpas”, entre o momento histórico, o governo de cada um dos países, etc. Não há quem culpar diretamente, então também não há a quem perdoar.
Boris Cyrulnik, também citado, viveu uma situação extrema de campos de concentração nazistas. Ele traz como “solução” para a questão, nas palavras dele:
“Dá trabalho, não é fácil, mas é um espaço de liberdade interior que permite não se submeter às feridas.”
Ainda assim, não se trata de perdão, e sim de sublimação e de busca da liberdade interior, liberdade do espírito, abandonar angústias.
Na verdade, não se deve manter um papel de vítima e as dores emocionais devem ser superadas, e não importa se isso é feito pelo perdão ou pela sublimação, sendo que a sublimação é mais real.
Segundo a psicoterapeuta Rosa Argentina Rivas Lacayo, presidente da Associação Latino-americana de Desenvolvimento Humano e da Associação de Orientação Holística do México, “sem perdão não podemos crescer nem ficar mais fortes com a adversidade. Também não conseguiremos ser flexíveis e resilientes. Algumas pessoas ‘cozinham’ a dor em fogo brando para mostrar ao mundo como foram maltratadas, e não querem perceber que assim se prejudicam. Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e dar agora. Quando nos apegamos à dor antiga, a autocomiseração embota a capacidade de dar e, quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera de que alguém resolva milagrosamente a nossa vida.”
Perfeito, existe sim a vitimização e muitas vezes se fazer de vítima é chamar atenção para uma carência e eventualmente, uma motivação para uma vingança qualquer. De forma geral, não é um sentimento bom, ainda que em situações específicas, necessário.
Rivas Lacayo diz: “[..] o perdão nos ajuda a reconhecer e admitir que somos frágeis e que não precisamos esconder essa fragilidade. Quando nos tornamos conscientes dos nossos limites, evitamos que a experiência se repita”.
Na verdade, o fato de termos nos sentido emocionalmente abalados é o que nos mostra nossa fragilidade, pois sem esta, não teríamos sofrido e não teríamos o que perdoar. Devemos sim ter consciência de nossos limites, não somente para evitar que determinada experiência se repita, mas para que possamos evitar que venha a acontecer.
Nascemos livres e somos livres sempre, fazemos escolhas, opções, e até mesmo não fazer uma escolha é uma escolha. Em muitas situações, somos responsáveis inclusive pelo que fazem conosco, pois “permitimos” que algo seja feito e não é raro “não nos perdoarmos” por isso, mas geralmente o sentimento surge à posteriori.
Não é possível negar, que todo e qualquer sentimento ruim deva ser afastado, e que as angústias que carregamos nos fazem mal. Sabemos também, que muitas das angústias emocionais acabam por atingir a nossa saúde física. Todavia, limitar nossa capacidade de nos livrarmos de sentimentos ruins pelo perdão, é no mínimo pouco sensato. É como dizer: se você não consegue perdoar, manterá determinada angústia. Não é bem verdade, podemos desenvolver outros instrumentos que sejam tão eficazes quanto o perdão.
Aparentemente, o artigo traz uma nova semântica para a palavra perdão, porém fazendo isso, além de colidir com a interpretação de perdão pelo senso comum, que pertence a um grande número de pessoas, elimina outras saídas viáveis para a busca de um alívio emocional.
Não podemos nos esquecer, que para muitas pessoas, uma vingança quando possível, também traz o alívio necessário. Não estou aqui fazendo uma apologia a respeito da vingança, mas mostrando que entre outros, há situações onde este instrumento também é válido e outra parte merece.
Há uma questão social muito forte, com grande influência religiosa, que torna a vingança algo excessivamente reprovável, torna o homem um cordeiro, um fraco, e esquece que entre tantos instrumentos que a natureza nos deu para sobreviver e continuar a espécie, está a defesa.
De qualquer maneira, a busca deve estar centrada no amor, na ética, na verdade e na justiça, ainda que eventualmente se faça necessário o uso da força.
Dedicado a minha querida amiga Thatiana, que faz com que eu pense em como dar “valorações” a certos elementos espirituais humanos.
Tadziu
terça-feira, 23 de junho de 2009
O QUE É CIÊNCIA?

A introdução da Crítica da Razão Pura de Kant busca firmar os juízos sintéticos a Priori na ciência, mostrando a compreensão de fundamentos no transcedental da experiência. Critíca especialmente a questão de até que ponto é possível realmente conhecer. Kant revisa e aponta juízos sintéticos a priori na matemática, física e metafísica. Daí temos o questionamento mais importante nas perguntas de como é possível conhecer a física pura, a metafísica pura, a matemática pura como ciência.
Daí temos uma propedêutica, uma metodologia até, onde há caminhos e funções de controle para usarmos a razão de modo a exigir experiência como fundamentação. Kant tem como pressuposto a existência de conhecimento a priori, porém a razão necessita provar como o conhecimento é possível.
Kant classifica as Lógicas em Crítica da Razão Pura.
Algumas das idéias de Kant são ainda válidas, especialmente por terem conseguido um status de “não estagnar” as ciências.
Kant na introdução à Lógica Transcedental na obra Crítica da Razão Pura é uma referência nova, uma produção voltada para um tipo de organização didática, um método a ser seguido como correto na busca do conhecimento.
Uma divisão possível da Lógica de Kant é:
Lógica em geral
Lógica transcedental
Lógica Geral em Analítica e Dialética
Lógica Transcedental em analítica e Dialética transcedental.
Kant divide e segmenta em ramificações a classificação de lógica. Daí, Lógica Geral se contrapõe à Lógica Particular. Da mesma forma separa e diferencia questões da Lógica Geral Pura das que se relacionam com a Lógica transcedental. Assim ele cria um lugar, um espaço para um outro tipo de lógica, a Lógica transcedental.
Kant questiona a capacidade que podemos ter em conhecer, e dividindo a Lógica ele cria uma demarcação para o conhecimento, considerando diferentes áreas do saber.
Kant dita tudo o que é necessário para se obter ciência de forma verdadeira, e (até onde ela é possível), tendo o cuidado de nunca conceber verdades falsas.
Para Popper, nosso conhecimento é a concepção de percepções que acumulamos ou assimilamos e classificamos de formas separadas. Aristóteles já dizia que não há nada no intelecto humanos que anteriormente não tenha estado nos órgãos sensitivos.
Atomistas gregos consideraram que átomos desprendidos dos objetos eram sentidos pelos órgãos que os convertiam em sensações e com o tempo de forma lógica, como em um quebra cabeças, montava-se o conhecimento.
“De acordo com essa concepção, assim, nossa mente se assemelha a uma vasilha – uma espécie de balde – em que percepções e conhecimento se acumulam” (Popper, p. 313).
Empiristas radicais, mantém como conselho uma interferência mínima no processo de acúmulo de conhecimento, para que este possa ser verdadeiro e puro, livre de preconceitos que eventualmente possamos agregar a nossas capacidades perceptivas. Bacon tinha como idéia um sistema de depuração mental que deveria afastar os “quatro ídolos”, que estão na mente humana e interferem obscurecendo as idéias, onde o sujeito pode tornar-se uma tabula rasa diante da natureza. Kant nega a possibilidade de percepções puras e afirma que o conhecimento é uma mescla de percepção da sensibilidade e do entendimento, assim, ele afasta-se do empirismo radical.
Popper discorda e julga que a observação no conhecimento científico é “Uma observação é uma percepção, mas uma percepção que é planejada e preparada” (Popper, p. 314). Então para ele o conhecimento científico vem antes de um problema que nos interessa, seja isto especulativo ou teórico. O que observamos necessita antes de uma hipótese ou teoria que irá nortear na busca de uma solução. Como não podemos observar tudo, fazemos isso de forma seletiva.
Lakatos, sobre o Popper falseacionista, inicia criticando o que é capaz de invalidar teorias. Lakatos, de forma semelhante a Kuh, julga a ciência como algo estável de forma geral, porém Lakatos é mais flexível que Kuhn.
A principal diferença entre Lakatos e Kuhn está na questão da maturação da ciência.
Para Kuhn a ciência é estável onde há esforços na busca de soluções por parte dos cientistas, pressupondo-se que independente do tempo que será gasto no esclarecimento de algo, todas as peças do quebra cabeças a ser montado já estão disponíveis e presentes.
Lakatos por sua vez destaca a importância da crítica, de refutar teorias e considerar as anomalias que geram a necessidade de reformulação da teoria. Isso lhe dá uma posição intermediária entre Kuhn e Popper.
Para Popper a ciência é um fluxo, possuí teorias refutáveis, e testes empíricos descartam teorias falsificadas.
Para Lakatos a ciência é razoavelmente estável, mas necessita de revisões parciais teóricas, de teorias parcialmente refutáveis, e teorias que tiveram resultados empíricos falsificados não necessitam de total abandono.
A tenacidade de uma teoria contra a evidência empírica seria então um argumento mais a favor do que contra a sua qualificação como “científica”, a “irrefutabilidade” tornar-se-ia uma marca distintiva da ciência. (Lakatos, 1979, p.124)
Para Kuhn a ciência estável, com anomalias que ocupam papel secundário e são relativamente desprezadas, o seu papel para derrubar teorias é pequeno.
Há uma diferença importante na busca de conhecimento para Kuhn e Lakatos. Para Kuhn a ciência é estável e os pesquisadores “montam quebra cabeças” onde existe uma resposta desde o início, seguindo normas básicas: junte um vagão a um trem sem sair dos trilhos. Anomalias são para ele incapazes de destruir ou modificar teorias sem algum complemento maior.
Lakatos divide seu Programa de Pesquisa Cientifica em duas partes: a heurística positiva e a heurística negativa, consecutivamente (cinto protetor e núcleo Hardcore).
Todos os programas de pesquisa científica podem ser caracterizados pelo seu “núcleo”. A heurística negativa do programa nos proíbe dirigir o modus tollens para esse “núcleo”. Ao invés disso, precisamos utilizar nosso engenho para articular ou mesmo inventar “hipótese auxiliares”, que formam um cinto de proteção em torno do núcleo, e precisamos redirigir o modus tollens para elas. (Lakatos, p. 163)
Para ele, o núcleo é intocável. Os cientistas dentro do conceito de seu PPC possuem um comportamento como os “normais” de Kuhn com relação ao paradigma. Com relação ao cinto protetos, Lakatos considera a refutação e destaca o valor da crítica às teorias como algo favorável para a manutenção do PPC, pois cientistas podem transformar derrotas aparentes em triunfos.
CONCLUSÃO:
A ciência é um conhecimento racional, crítico, provisório, sempre disponível a complementação e correção. Não é algo pleno, perfeito, mas uma construção permanente de interpretação da realidade parcial.
As observações do cientista são guiadas por teorias e hipóteses, e não são puras ou imparciais, pois o cientista não é um descobridor ou alguém que confere através de métodos indutivos, e sim alguém que cria conjecturas que devem ser testadas de forma rigorosa, tanto quanto possível, e usar de refutação em experimentos controlados. Assim, as teorias podem englobar cada vez mais conhecimento, buscar profundidade, embasamento e corroboração, e assim se aproximar da verdade.
Tadziu
CRÍTICA DA RAZÃO PURA - METAFÍSICA

Immanuel Kant afirma que o domínio da razão e o rigor científico podem recriar a metafísica como conjunto dos conhecimentos dados apenas pela razão, sem utilizar os dados da experiência. A metafísica para Kant reduz-se ao estudo das condições e limites do conhecimento.
Kant separa o conhecimento sensível que se relaciona às instituições sensíveis do conhecimento inteligível que trata de idéias metafísicas.
A Crítica da Razão Pura trata especialmente dos motivos pelos quais as metafísicas são voltadas ao fracasso e das razões pelas quais a razão humana é impotente para conhecer as coisas em profundidade.
Ciência e Metafísica
Immanuel Kant tem como método a "crítica", a análise reflexiva. Visa trazer à tona do conhecimento condições que possam torná-lo legítimo. As verdades da metafísica são alvo de discussões intermináveis e grandes pensadores não estão de acordo com as várias abordagens e interpretações.
Ainda assim, a razão constrói sistemas metafísicos, pois existe uma tendência natural de buscar interminavelmente a unificação, ainda que além da experiência possível. O metafísico tenta ir além do empírico e da causalidade na medida em que se afasta deliberadamente da experiência concreta.
Crítica da Razão Pura divide a filosofia transcedental teórica e a metafísica em si. Uma é a teoria que dá referência e significado a conceitos a priori na experiência possível e trata da verdade ou falsidade como possibilidade, a outra usa esses juízos para a priori legislar sobre a natureza em uma experiência possível.
A experiência usa os sentidos externos e internos para dividir a natureza em pensante ou corpórea.
Assim, a metafísica da natureza corpórea trata do que é indispensável para a metafísica geral, ou seja, trata da filosofia transcedental atribuindo valores e significados a uma forma básica de pensamento.
O conhecimento pode ser tratado como uma síntese a priori e pode dar universalidade tanto à matéria como a conteúdos do mundo exterior. Kant com seu juízo sintético a priori, reúne conteúdo e forma e esta síntese concretiza uma superação pelos juízos a concepção dogmática racionalista baseada somente no empirismo cético. Assim, com suas idéias, ele abre possibilidades para validar sua descoberta abrangendo todos seus pressupostos gnosiológicos.
Até os dias atuais, a metafísica é mantida em uma situação incerta, com contradições e talvez o fato de não ter sido explorada devidamente ou anteriormente, ainda seja uma coisa insatisfatória como instrumento que resolva efetivamente algum tipo de problema. Mesmo com as distinções de juízos em analíticos e sintéticos, parece não resolver totalmente a questão.
Kant afirma que falando de Filosofia, não é possível afirmar nada sobre o mundo inteligível. Pelo aspecto metafísico, Crítica da Razão pura demonstrou os paralogismos e antinomias sobre as possíveis idéias da ração. Kant não demonstra a metafísica como sendo impossível em momento algum, talvez pelo fato dela ser necessária para a ética. É na epistemologia que a metafísica encontra pretensões de pela razão tornar-se conhecimento incondicional. A crítica vem como instrumento que demonstra a impossibilidade da metafísica tornar-se ciência e vem acompanhada de orientações para que o homem obedeça a regras e não ultrapasse simplesmente o valor do empirismo. O grande destaque de Kant está no fato de ser necessário conhecer aquilo que está nos objetos transcendentes, que são apenas pensados sem a possibilidade de experiência. A razão deve ter como preocupação não o mundo noumênico, mas o mundo dos fenômenos. Na tentativa de solucionar questões transcendentes, a razão se perde e consegue somente argumentos errôneos e falaciosos.
Tadziu
Platão e o Ser

Platão - Ser
Uma das principais teorias de Platão está na criação do mundo sensível e do mundo das idéias, em uma tentativa de decifrar o conflito que Heráclito e Parmênides criaram.
Segundo Aristóteles, quando jovem Platão conheceu Grátilo, e este afirmava, assim como nas idéias de Heráclito, ser impossível atingir um conhecimento estável, qualquer que fosse.
Mundo das Idéias e Mundo Sensível
Baseado nas teorias de dois grandes filósofos pré socráticos, Heráclito e Parmênides, Platão buscou resolver a questão antagônica de ambos com uma teoria própria.
Para Platão, Heráclito estava correto com relação às percepções do mundo sensível e material, onde a matéria era imperfeita e estava em constante mudança. Parmênides estaria certo quando exigia o afastamento da Filosofia do mundo sensível buscando a veradade naquilo que somente o pensamento poderia compreender.
Para Platão há dois mundos separados:
a) mundo sensível, dos fenômenos acessíveis aos sentidos
b) mundo das idéias gerais (cognoscível), que o homem pode atingir através da contemplação e depuração dos enganos dos sentidos.
Assim, a oposição de Heráclito à mutabilidade essencial do ser e a postura de Parmênides sobre o ser imóvel, para Platão, recebe uma relação entre mundo das idéias parmenideo e mundo fenomenológico do devir heraclitiano.
O livro VII da República de Platão (Mito ou Alegoria da Caverna) é uma boa explicação da teoria de Platão. (Caso não conheça, procure e leia, vale a pena refletir sobre).
Os homens que se libertam conhecem a essência das coisas, o mundo das idéias, os presos conhecem somente o mundo sensível.
Platão, apesar de deixar questões em aberto, o que foi criticado por Aristóteles, e outras afirmações ainda hoje não compreendidas, como imortalidade da alma e reencarnação, é um grande marco para a filosofia.
Tadziu

Kant
Crítica da Razão Pura
Doutrina transcedental dos elementos
Lógica Transcedental
Introdução
Kant classifica as Lógicas em Crítica da Razão Pura.
Algumas das idéias de Kant são ainda válidas, especialmente por terem conseguido um status de “não estagnar” as ciências.
Kant na introdução à Lógica Transcedental na obra Crítica da Razão Pura é uma referência nova, uma produção voltada para um tipo de organização didática, um método a ser seguido como correto na busca do conhecimento.
Uma divisão possível da Lógica de Kant é:
Lógica em geral
Lógica transcedental
Lógica Geral em Analítica e Dialética
Lógica Transcedental em analítica e Dialética transcedental.
Kant divide e segmenta em ramificações a classificação de lógica. Daí, Lógica Geral se contrapõe à Lógica Particular. Da mesma forma separa e diferencia questões da Lógica Geral Pura das que se relacionam com a Lógica transcedental. Assim ele cria um lugar, um espaço para um outro tipo de lógica, a Lógica transcedental.
Kant questiona a capacidade que podemos ter em conhecer, e dividindo a Lógica ele cria uma demarcação para o conhecimento, considerando diferentes áreas do saber.
Lógica em Geral e Lógicas Particulares
Para Kant, o entendimento humano se dá pela formulação de juízos o que significa poder universalizar e representar dois ou mais conceitos de forma objetiva e válida. O entendimento não é aleatório para Kant e deve seguir normas que podem ser gerais se servirem para qualquer juízo, independente do conteúdo, ou particulares, caso sejam válidas exclusivamente em algumas situações onde o pensamento avalia um conjunto determinado de objetos.
Regras particulares de pensamento são contingentes por considerar em determinado momento a formulação de juízos sobre uma área específica de conhecimento. Pelo fato de se ajustarem a áreas específicas como física, sociologia, química, etc, as Lógicas particulares de entendimento são órganons (métodos) para a apreensão do conhecimento de determinada ciência.
Regras de uso geral se aplicam a qualquer argumento ou juízo possíveis, puros ou empíricos. Em Crítica da Razão Pura, Kant apresenta doze meios de conferir unidade ao conhecimento que desencadeou um juízo. Além dos doze meios para se chegar a juízos, a Lógica Geral possuí inferências para os raciocínios indutivos, dedutivos, etc. O princípio da não contradição e o terceiro excluído são necessidades mínimas a serem atendidas para um pensamento.
Lógica Geral Pura e Lógica Geral Aplicada
Kant trata a Lógica por diversas vezes como sendo uma ciência de regras para o pensamento. O único tipo de Lógica a manter algo de psicologia é a Lógica Geral Aplicada:
“Quanto à Lógica que denomino aplicada (contra a significação comum desta palavra, que designa certos exercícios e cuja regra a Lógica pura fornece) é que representa o entendimento e as regras de seu uso necessário considerado “in concreto”, quer dizer, enquanto se acha submetido às condições contingentes do sujeito que poderão ser-lhe opostas ou favoráveis, não sendo jamais dadas “a priori”. Essa Lógica trata da atenção, de seus obstáculos e efeitos, da origem dos erros, do estado da dúvida, do escrúpulo, da persuasão, etc.”
(Kant, pág. 33)
Mesmo para Kant, Lógica Geral Aplicada é um tipo de conhecimento psicológico com base em dados empíricos, então não deveria ter este nome. Nesta classe estariam conhecimentos obtidos com experiência relacionada com a aplicação ao dia a dia. Assim, é possível depurar os pensamentos sobre as atividades do pensamento em geral das influências psicológicas que interferem.
Lógica Geral acrescida do termo “Pura” serve para com maior precisão efetuar delimitações para o que é ciência, que seria uma investigação a priori das necessidades, normas e regras para um pensamento puro, ainda que em Crítica da Razão Pura tenhamos muitos termos da Psicologia, como “consciência”, “juízo”, “representação”. Apesar disso, temos sim muitas regras sobre como deve ser a Lógica Geral Pura para o pensamento.
Existe uma grande ligação entre validade e formalidade Geral da Lógica Geral Pura.
As Leis Lógicas são bastante descritivas e movem o entendimento e a razão, sendo normativas. Kant necessariamente tem que encontrar saídas com relação ao valor necessário universal e os riscos de produzirmos raciocínios e juízos falsos.
Lógica Geral Pura - Lógica Formal
“`Pura” refere-se a conteúdo da Lógica Geral (a priori), não empírica, válida de forma universal e necessária, excluindo não só regras de cunho psicológico consideradas pela Lógica Aplicada, mas também o conteúdo daquilo que se conhece, assim, a Lógica Geral Pura pode ser uma ciência formal.
A Lógica Geral Pura permite um uso geral, em qualquer área do conhecimento.
Na Crítica da Razão Pura, temos regras do entendimento podendo ser usadas sem relação com a sensibilidade, pois um conceito só possuí conteúdo se preenchido pelo menos por uma intuição pura empírica e intuições sensíveis só podem ser atribuídas pela sensibilidade.
Então, o conhecimento humano é possível graças à interação entre entendimento e sensibilidade, que são faculdades cognitivas.
A Lógica Geral Pura possuí regras formais e trata do entendimento e da razão. Para Kant, errar era considerar verdadeiro um falso juízo e ele pode ser falso de duas maneiras: uma associação entre sujeito e predicado que não está de acordo com os fenômenos (falsidade material) ou sua forma (estrutura) é afetada por alguma regra da lógica, como o princípio de não contradição.
Apesar da Lógica Formal ser uma ciência descritiva, ela pode ser enganosa e sugerir leis coercitivas sobre o entendimento o que pode transformar um juízo formal falso em uma verdade paradoxal. Isso se desfaz se possível for observar algo como o princípio de não contradição, anulando o efeito.
Kant explica as possibilidades de juízos não verdadeiros terem esta aparência induzindo ao erro.
“A Lógica geral decompõe, pois, em seus ele mentos toda a obra formal do entendimento e da razão, e os apresenta como princípios de toda apreciação lógica do nosso conhecimento. A esta parte da Lógica pode dar-se o nome de analítica, e e desta sorte a pedra de toque da verdade, ainda que negativa, porque cumpre controlar e julgar segundo as suas regras a forma de todo conhecimento, antes de lhe examinar o conteúdo, para ver se em relação ao objeto contém alguma verdade positiva. Mas como não basta de modo algum para decidir sobre a verdade material (objetiva) do conhecimento, a forma pura do mesmo, por muito que concorde com as leis lógicas, ninguém pode aventurar-se apenas com a Lógica a julgar objetos, nem a afirmar nada, sem ter antes achado, e independentemente dela, manifestações fundadas, salvo pedir em seguida às leis lógicas em uso e encadeamento em um todo sistemático, ou melhor ainda, submetê -los simplesmente a essas leis.” (Kant, pág. 35)
O fato de sermos capazes de perceber um juízo falso evidencia que as leis lógicas valem de forma universal como avaliação de juízos.
Lógica Transcendental
Toda investigação buscando meios para o conhecimento a priori, seja Física, Metafísica ou Matemática Pura, tem este nome para Kant.
A Lógica Transcendental busca conceitos puros e possibilidades de conhecimento a priori, que Kant chama de conceitos puros do entendimento, e o conhecimento a priori só é válido se aplicado a experiências possíveis.
A Lógica Transcendental então traz condições de possibilidade da Lógica Geral Pura e também da Física e Matemática.
Há limitações e se ignorarmos estas usando Lógica Geral Pura como órganon na construção (somente com ela) de um conhecimento verdadeiro, faremos um uso dialético dela, e a Dialética nesta situação seria uma aplicação ruim da Lógica Geral Pura e artificialmente poderia criar um conhecimento verdadeiro encobrindo juízos e raciocínios.
A Lógica Transcedental é passível de divisão em analítica e dialética. A Analítica Transcendental além de expor o conjunto de conceitos e princípios puros que são a forma de entendimento, também explica como é a relação entre entendimento e sensibilidade que gera a construção de conhecimentos com base em juízos sintéticos a priori.
A aparência transcendental, como uma ilusão natural da razão, só pode ser desvelada por um procedimento crítico que tenha bem presentes conceitos e intuições.
Conclusão
A Razão na Crítica da Razão Pura, é uma faculdade do pensamento humano e serve para buscar o incondicionado, que seria a síntese absoluta de todos os conhecimentos possíveis. Mas esse incondicionado nunca poderá apresentar-se sendo objeto de experiência para o humano, como se nota em Analítica e na Estética Transcendentais – e essa é uma condição imprescindível para formular juízos sintéticos a priori. Uma vez que a razão pura é incapaz de produzir conhecimento teórico, resta como importante para nortear a produção de conhecimento científico com idéias.
Tadziu
sábado, 13 de junho de 2009
METÁFORA PARA PENSAR O CAPITALISMO

Banqueiro
Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa em sua "limousine"quando viu dois homens, à beira da estrada, comendo grama.
Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
- Porque vocês estão comendo grama ?
Não temos dinheiro para comida. - disse o pobre homem - Por isso temos que comer grama.
- Bem, então venham a minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro.
- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
- Que venham também - disse novamente o banqueiro.
E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
- Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse:
- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!
- Pois que venham também. - respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro.
Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
- O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos !
O banqueiro respondeu:
- Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão ficar encantados com a minha casa... A grama está com mais de 20centímetros de altura !
Moral da história:
Quando você achar que um banqueiro está lhe ajudando, não se iluda, pense mais um pouco...
terça-feira, 9 de junho de 2009
METADE DA LARANJA

Há pessoas que tentam medir a dor de um final de relação. A dor, como qualquer outro tipo de sentimento, é pessoal, individual e intransferível e é um luto para qualquer uma das partes, mas pode e deve ser superada com dignidade. Não existe situação onde o outro fique feliz, a menos que tenha sido vivida uma grande mentira, o que acontece e não deve ser desprezado como possibilidade.
Há momentos e situações onde o término é inevitável e até desejável, mesmo quando ainda existe algum tipo de sentimento bom. Apenas bons sentimentos, mesmo se tratando de amor, não são suficientes para manter uma relação. Relações se desgastam, erros são cometidos, surge a falta de cuidado, o desprazer e tudo acaba morrendo, às vezes com algo que culmina e decide as coisas e outras vezes pelo próprio desgaste, enfim, há relações que realmente não devem ser mantidas e se faz necessário decidir o momento do fim.
De forma bem generalizada, o amor termina aos poucos e os melhores sinais da degeneração estão no afastamento progressivo, distância, falta de diálogo e respeito.
O rompimento acontece por uma sucessão de fatos e atitudes somados e também da falta de atitude para que as coisas mudem e retomem um bom rumo, e ainda, com uma gota d’água que faz com que o copo transborde eliminando toda e qualquer chance de continuidade, então o fim se instala e deve ser aceito por ambos.
Existe quase sempre uma idealização sobre o outro ser perfeito, ou a criação de expectativas que geralmente acabam sendo transformadas em grandes frustrações. As decepções repetidas geram um grande esfriamento emocional, e da mesma forma a falta de respeito.
Há casais que temem desagradar o outro, outros mantém posturas tão firmes, que não se importam com desagradar e ambas as medidas estão erradas. Daí, muitos términos vem acompanhados de revolta e ódio, mágoa e intolerância. O excesso de medo em desagradar gera posteriormente cobranças e a falta de agrado e mágoa, e quando ambas as situações ocorrem, temos uma situação insustentável de convivência, às vezes gerando a sensação de que o planeta todo é pequeno demais.
De maneira bem existencialista podemos e devemos considerar que ninguém é responsável por seus sentimentos ou por sua dor. Ainda que o erro seja do outro, ele nunca é totalmente responsável por sua felicidade ou por sua dor, pois você teve opções, e se não notou algo realmente relevante, o problema é exclusivamente seu.
Quando há um rompimento de uma relação de amor, mesmo os sentimentos mais contraditórios e paradoxais devem ser respeitados. O abandono não deve compreender sentimentos mesquinhos e o orgulho é um grande atraso de vida.
Há duas situações comuns em casos de fim de relacionamento: uma é culpar o outro e a outra sentir culpa. A primeira é sinal de imaturidade e a segunda de falta de auto estima.
O respeito que faltou em um primeiro momento pode ser demonstrado com a aceitação e respeito pelas posturas do outro. Todo e qualquer ataque indireto, provocação, ações de invasão e tantos outros atos possíveis, constituem mágoa existente, e falta de respeito.
Poucas são as coisas definitivas. Sofrimento e felicidade não estão entre elas. Arrastar um relacionamento ruim é penoso e tentar transformar isso em definitivo é masoquismo, é mentir e viver uma mentira.
Há pessoas que tentam sufocar a dor da perda com um amor novo. Pode ser que isso seja inconscientemente inevitável, e pode ser que realmente uma nova boa relação surja, mas o perigo reside no fato da nova relação poder estar apenas ligada a uma carência, o que é perigoso e poderá trazer de volta à tona vícios de um relacionamento anterior.
O término de um relacionamento deve ser visto como libertação e chance de uma boa vida. Não são poucas as situações onde o término deve ser visto realmente como se livrar do outro, e idéias de amizade após a relação são apenas hipocrisias fantasiosas.
Na atualidade vivemos grandes novas mudanças que vão desde a tecnologia e atingem é claro o tipo de relações afetivas que vivemos. Há muitas lendas, mitos sobre parceiro ideal e parece estar difícil compreender como pode acontecer uma relação afetiva “ideal” nos tempos modernos.
Vivemos em um momento de egocentrismo inegável onde a individualidade deve ser respeitada, e o respeito não é necessário somente para a individualidade, mas em toda a relação. O importante é ser bom estar junto, sem dependência de espécie alguma e com grande responsabilidade pelo próprio bem estar e pelo bem estar do outro. Não pode mais haver a responsabilidade do outro pelo seu bem estar.
Aquela história de “metade da laranja”, “tampa da panela” e outras do gênero perdem o sentido a cada dia e em breve irão desaparecer, então se faz necessário aprender a lidar com um novo conceito de valores para relacionamentos. A premissa de sermos a metade necessitando encontrar a outra metade que nos complementa torna se cada vez mais um conto de fadas irreal, assim como a história de opostos se atraindo para complementação.
O que procuramos hoje está mais relacionado à parceria onde um tipo de amor mais antigo, o da necessidade, começa a ser substituído pelo amor de desejo, onde devemos querer, gostar e desejar a companhia, porém não precisar dela, e existe aí uma diferença muito grande.
O medo de viver só está desaparecendo, para não dizer que muitas vezes esta solidão é necessária. Segundo Nietzsche: “Odeio quem me rouba a solidão sem, em troca, me oferecer, verdadeiramente companhia”. E esta solidão, preenchida por muito pouco começa hoje a ser extirpada das necessidades humanas e todos estão aprendendo a se compreender e viver bem sozinhas. As pessoas estão se tornando inteiras e não mais frações e o outro precisa ser um bom companheiro para todas as situações, porém precisa também ser inteiro.
Não se trata aqui de um caráter egoísta nascendo em cada um de nós, pois o egoísta suga energia do outro e vive para si mesmo. O individualista parceiro dá um novo significado para as relações e busca a união de dois inteiros e não a aproximação de duas metades, assim respeitando e vivendo a individualidade de ambos.
Por isso, diferentes religiões, crenças, gostos, devem ser respeitados e compreendidos, deve-se ter a capacidade de viver a dois como se vivêssemos sozinhos, pois o saber viver sozinho nos dá dignidade e relações sem traços de domínio e concessões exageradas são mais perfeitas e justas. Somos únicos sempre e somos também as pessoas mais importantes em nosso mundo. Nossa forma de ver o mundo, pensar e agir não são referência para a avaliação de um outro ser, daí a tolerância surgindo e superando traços que nos levam a querer dominar.
A antiga história de “alma gêmea” deve também ser superada, pois acaba sendo apenas uma fantasia que inventamos. Cada um de nós é completo e não deve buscar coisas que não existem no outro. Assim, podemos ser mais compreensivos e tolerantes com as diferenças, respeitar o outro sem querer que ele mude, até pelo fato da mudança, quando esta acontece, poder ser artificial e danosa futuramente. O respeito pelo outro e pela maneira deste ser é vital, pois todos possuem uma maneira de ser própria.
Duas pessoas inteiras conseguem maiores chances de viver uma relação plena, o que é bem mais saudável se comparado ao modelo ”antigo” de relacionamento. Uma pessoa inteira e respeitada não precisa mentir, pode ser ela mesma em tempo integral. Uma pessoa inteira não precisa demonstrar felicidade, ela pode simplesmente sentir.
Não há monstros, fazemos nossas próprias escolhas e somos responsáveis por elas. Há momentos em que cometemos atos e de alguns deles nos arrependemos, mas eles também são de nossa escolha. Somos livres, nascemos livres, e até o fato de não fazermos uma escolha configura em uma escolha.
Segundo Sartre negar a liberdade é, uma tomada de posição covarde, a fim de fugir da angústia da escolha, e achar o repouso e a segurança na confortável ilusão de ser uma essência acabada. Cada ato nos define como somos, podemos agir de modo diferente sempre, pois sempre podemos mudar e fazer outra escolha. Podemos nos transformar indefinidamente. "Simplesmente descobrimos que existimos e temos então de decidir o que fazer de nós mesmos".
Então, devemos e podemos optar pela liberdade de escolher alguém inteiro, não temer monstros e buscar a felicidade. Chega de metades!
“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Nietzsche
Tadziu
segunda-feira, 8 de junho de 2009
COMO "USAR" A ESTÉTICA

Estamos no Século XXI, e ainda se compreende pelo senso comum que a Estética se limita a aparências externas onde não existe profundidade e onde a estética é meramente um gosto pessoal ou coletivo sem influencias mais importantes.
A Estética vem do grego e trata de sensação e percepção além de ser uma parte da filosofia que estuda a natureza do belo e os fundamentos da arte, onde são estudados os tipos de percepção daquilo que é belo e ainda como as emoções são produzidas. Estuda também aquilo que pode ser considerado feio ou ridículo.
Surge como um ramo significativo com o filósofo alemão Alexander Boumgarten (1714 – 1762) como um instrumento para nomear arte com base em criação da sensibilidade tendendo finalmente ao belo.
A Estética vem da Antiguidade grega e era aplicada a todas as formas de arte e evoluiu de maneira a refletir as sensações que provoca.
Atualmente é uma perspectiva fenomenológica onde não há um único valor estético (somente o belo) e o objeto passa a ter um tipo de beleza próprio, a partir de quem o julga, então o julgamento passa a ocorrer pela experiência e capacidade estética de avaliação de cada um.
Tratando do BELO, destacam-se dois fundamentos em especial:
A Estética iniciada como teoria, virou uma ciência normativa que utilizada lógica e moral – verdade, beleza, bondade. Passou a servir como julgamento de valores para normas gerais do belo, excedendo os objetos.
Adquiriu características da metafísica do belo, para buscar fontes originais do belo sensível: reflexo do que é cognitivo na matéria (Platão), expressão de sensível da idéia (Hegel), além de belo natural, belo arbitrário (do humano) entre outras.
Platão confinava o belo ao mundo das idéias, mantendo o bem e a verdade ligada à perfeição imutável.
Para Platão um juízo estético só é possível a partir de um ideal de beleza suprema e o belo é inseparável da beleza, do amor e do saber. O belo é o que possibilita levar o homem à perfeição e este buscaria cópias fieis e simulações para obter o belo, o que permanece assim até o século XVIII tendo flutuações maiores ou menores de ênfase na produção artística.
Aristóteles que foi discípulo de Platão modificou os conceitos e admitiu o belo a partir da realidade sensível, transformando o abstrato em concreto. A beleza aristotélica deixa de ser imutável ou eterna e passa a poder evoluir.
Aristóteles começa a romper com o belo ligado à perfeição e traz o belo para um mundo mundano onde a criação é humana.
Aristóteles traz evolução e permite novas perspectivas para o julgamento da produção artística de forma individual. Com ele o belo passa a ter critérios de equilíbrio, proporção, composição, ordenação e simetria. Seus conceitos ficaram por muito tempo engavetados e foram retomados no final da Idade Média.
Refutando ou concordando com ele, Kant é referencial em questões de estética e é sempre mencionado. Além da revolução copernicana ele trouxe outros temas à luz do debate. Até Kant o belo não podia ser compreendido pela razão e a arte era apreciada como prazer com o belo e a influência moral que causava na natureza humana.
O juízo estético para Kant vem do sentimento e é o intermédio entre razão e intelecto no homem. Segundo Kant não era possível existir regra teórica para construir o belo. Quando julgamos um objeto ele compreende algum principio geral ou está em alguma regra, e um juízo intelectual na regra não permite “inferir no que é belo”. O belo não depende de provas do intelecto, mas do senso de prazer que gera, então o belo surge de representações apreendidas sensivelmente.
Após Kant, temos Hegel que tende a retomar as idéias de Platão quando pensa o ideal de belo. Hegel diz: “a beleza só pode se exprimir na forma, porque ela só é manifestação exterior através do idealismo objetivo do ser vivente e se oferece à nossa intuição e contemplação sensíveis”.
Hegel traz conceitos espirituais e morais e julga o imaginário em formas atribuídas a deuses ou seres superiores transpondo a realidade dura da vida e projeta exemplos a serem seguidos. Para Hegel a beleza é a expressão máxima do IDEAL. O belo é espiritual e está no plano da imaginação do sujeito que julga a beleza.
Para Hegel os objetos considerados como belos o são por diversas razões, então ele considera o belo em si. “Não nos perturbam, portanto, as oposições entre os objetos qualificados de belos: estas oposições são afastadas, suprimidas (...). Nós começamos pelo belo como tal”. Acaba por determinar que “só é belo o que possui expressão artística”.
Há outras interpretações para estética, apreciações de outros filósofos, mas vamos mudar aqui para uma ESTÉTICA aplicada à vida diária. A Estética é uma reorganização não perene e vive em mudança permanente se renovando segundo a história, períodos, sendo uma reflexão da arte e diretamente influenciando e estimulando o avanço do pensamento.
Retomando um pensamento de Sêneca (4 a.C. — Roma, 65 d.C.) temos um conceito de necessidade de aprender a viver por toda a vida, e aprender a morrer. Ele apresenta ainda que o verdadeiro ócio só existe para quem tem disposição para a sabedoria e critica os que se desgastam durante toda a vida para ter um bom epitáfio.
O ócio é um “inimigo” criado como “pecado” para impedir as pessoas de pensar e se tornou instrumento capitalista para domínio e manipulação. Então, tenha algum ócio e pegue parte dele para pensar nos próximos conceitos (mas, o simples fato de conseguir algum ócio, já o fará pensar):
Não há como separar o humano da estética, pois esta é a nossa identidade (e a dos outros). A Estética é e está no dia a dia de nossa existência. Somos genéricos, somos humanos e somos estéticos; é como apreciamos os valores universais, é como nos colocamos perante as coisas e é nosso lado mais sensível e com menos limites.
A Estética é instrumento válido para compreender a sociedade e também indivíduos separadamente sendo socialmente ou individualmente por comportamentos e valores.
Atualmente em uma sociedade dita moderna, vivemos uma Estética universal e separada de outros aspectos de nossa existência, como nunca antes vivemos. Separamos força de trabalho dos meios de produção (conceitos marxistas) e o capital tão distanciado do trabalhador traz divisões sociais e junto uma ruptura no coração da humanidade.
A sabedoria e a apreciação estética tornou se divorciada do conhecimento e a ciência não é acessível a todos o que abala e compromete os valores que ficam contaminados pelas necessidades do capitalismo.
A estética assim surgiu agora como uma obrigatoriedade que nos leva ao consumo e é a única coisa real. A estética hoje é meio ou fim?
A Estética hoje traz marcas de beleza excedente, exacerbada e supérflua, e também subliminar de anúncios, influências de valores errados distorcidos, amor e ódio, sedução e medo em uma mistura confusa e perdida. Gera tensões de manipulação e delimita beleza e feiúra segundo valores necessários socialmente, que geralmente não são reais. Visa consumo, marcas, estética feminina tendendo para a anorexia, sentimentos bons sem lugar “útil”, preconceitos diversos, frustrações, violência, discursos perdidos e sem fundamento gerando vazios na verdade, mas ainda assim, nada escapa a estética.
Os elementos acima além de gerarem frustrações e dificuldades de convivência, trazem consigo o abuso da estética como valor de mercado o que transforma o valor da pessoa em si. Do individualismo assim gerado, surgem os estereótipos, o fingimento social e pessoal e daí também a solidão e o isolamento.
Continuamos a ter uma classe dominante que orienta o tipo ideal psicológico que devemos assumir. Não há uma verdade epistemológica ou um propósito político sério contra o pré estabelecimento de valores e juízos impostos pelo mercado, então os juízos estéticos possíveis são geralmente impostos e simplesmente aceitos.
Creio ter conseguido pincelar a importância da Estética, superando os conceitos mais simplórios de apreciação do belo e do feio e ter mostrado um instrumento a mais para a avaliação das pessoas em geral.
Tadziu
domingo, 7 de junho de 2009
SOBRE O PODER

O ex-chanceler britânico, quando questionado na televisão se gostaria ser o primeiro ministro, respondeu com certo espanto: ”qualquer um gostaria de ser o primeiro ministro”. Dessa vez eu fiquei surpreso, pois não acredito que todo mundo gostaria de ser o primeiro ministro; há muitas pessoas que sequer sonham com tal cargo – não somente por não terem a chance, mas por se tratar de um “elefante branco”*, mas porque achariam esse trabalho terrível: muita dor de cabeça, o peso da responsabilidade, antecipadamente se sabe que a pessoa estaria ininterruptamente exposta a ataques, ridicularizações, acusada das piores intenções, etc.
Então é ou não é verdade que “todo mundo quer poder?” Isso depende de como iremos estender o sentido desta palavra. No sentido mais amplo de “poder” consideramos tudo aquilo que nos permite influenciar o ambiente – natural ou humano – na direção desejada. Uma pequena criança que pela primeira vez levanta ou consegue andar está ganhando um certo âmbito de poder sobre o próprio corpo e percebemos que ela se alegra com isso; com certeza possivelmente todos gostariam de ter mais do que menos poder sobre as funções do corpo que podem ser controladas, como os músculos e as articulações. Quando aprendemos uma língua estrangeira, xadrez, natação, ou matemática, é nos possível dizer que adquirimos capacidades, graças às quais dominamos certo âmbito da cultura.
A definição tão ampla de poder é possível, por isso apareceram teorias de acordo com as quais tudo nas realizações humanas é submetido ao desejo de poder; todas nossas motivações originam-se na aspiração ao poder em suas mais variadas formas; tudo que intentamos – na verdade intentamos pelo poder, isso é a fonte de energia da vida humana. As pessoas desejam riquezas, pois a riqueza lhe dá poder tanto sobre as coisas, como até certo nível – às vezes considerável - sobre outras pessoas. Até o sexo pode ser explicado nas categorias de poder – se isso é pelo fato de nos parecer que possuímos o corpo da outra pessoa e deste modo à própria pessoa, ou se o possuindo excluímos os outros da sua posse e através dessa exclusão ou privação dos outros alcançamos a satisfação do monarca. O sexo é obviamente a criação da natureza pré-humana, mas toda a natureza (de acordo com essas teorias) está marcada com a mesma ambição, que nos humanos obtém outros aspectos formados pela cultura, porém na origem é a mesma coisa. Até mesmo os comportamentos altruístas, com certo esforço podem ser explicados da seguinte maneira: se fizermos bem para outras pessoas, é para controlar a vida deles, ou seja, conseguir poder parcial sobre eles, mesmo não estando conscientes desta motivação implícita. Então tudo na vida é uma busca pelo poder e nada mais existe, o resto é auto-ilusão.
Teorias como essas, com objetivo desmascarador, têm um aspecto confiável, mas explicam muito pouco. Cada teoria que explica todos os comportamentos humanos com um tipo de motivos ou toda vida da sociedade com uma espécie de energia geradora pode ser defendida, mas isso mostra que todas elas são inúteis e no final são construções filosóficas.
Isso nos esclarece algo, pois se dissermos, por exemplo, que se um homem dedica-se ao o próximo, ou se o tortura, suas motivações continuam as mesmas, então não há definições ideais, com a ajuda das quais possamos julgar essas coisas ou até distingui-las do ponto de vista de seu acontecimento, pois sempre se trata do mesmo (a teoria serve, porém para aqueles que tenham vontade de dizer com prazer: não tenho motivos para ter a consciência pesada graças às minhas maldades, pois todos são iguais). Uma tentação mental semelhante descobrimos nos cursos do pensamento cristão – hoje raros, antigamente potentes – de acordo com os quais, sempre fazemos o mal, caso nos falte a inspiração de divina, e quando a temos, por necessidade fazemos bem. Disso resulta também que quando não temos essa inspiração, tanto faz se ajudamos os próximos ou os torturamos, iremos para o inferno, como foram todos os pagãos, mesmo os mais nobres. Nessas teorias procura-se sempre uma chave mestra que abre todas as portas, explicando tudo. Mas não existe uma chave dessas, a cultura cresce através da diversificação, pela criação de novas necessidades e independência das antigas.
Se a teoria segundo a qual nada há dentro de nós, além do desejo de poder é inocente e pouco explica, contudo ninguém vai negar que o poder é um bem extremamente desejado. Na maioria das vezes quando falamos de poder, temos em mente um sentido mais estreito que esse, ou seja, poder que consta em disposição dos recursos que nos ajudam a influenciar – com violência ou ameaça de violência – o comportamento das pessoas e controlar esse comportamento de acordo com as intenções do monarca (unitário ou agregado). O poder neste sentido pressupõe a presença de ferramentas organizadas de coerção, e no mundo contemporâneo – a presença do estado.
Será que cada um de nós deseja o poder neste sentido? Certamente todos gostariam, que os outros se comportassem de acordo com o seu parecer, ou seja: ou de acordo com o seu sentido de justiça, ou de uma maneira mais proveitosa para ele. Porém isso não significa que todos gostariam de ser o rei. Como diz Pascal, somente o rei privado do trono é infeliz, pelo fato de não ser o rei.
Apesar disso é sabido, que ter o poder, muitas vezes – ainda que não sem exceções – corrompe as pessoas, porque as pessoas que por muito tempo gozaram de certo considerável nível de poder têm no final a sensação, de ter o direito ao poder pela força de uma ordem natural, do mesmo modo que o poder dos antigos monarcas deveria ser de origem divina, e se por alguma razão o perdem, consideram isso uma catástrofe cósmica, pois a luta pelo poder é a principal causa das guerras e de todos os males do mundo, apareceram utopias anárquicas infantis, que inventaram para tudo isso um remédio de salvação: eliminar o poder em geral. Mais que isso, as utopias dessas estão divulgadas às vezes pelos pensadores que atribuem ao poder o sentido mais amplo possível, dizendo, por exemplo, que o poder dos pais sobre os filhos é por natureza uma terrível tirania: com efeito, pareceria até que quando os pais ensinam os filhos a língua materna, estão executando uma violência tirânica, tirando delas a liberdade e que melhor seria deixá-los em estado animal, para que inventassem o próprio idioma, costumes e toda a cultura. Mas o anarquismo menos absurdo tem na mente a eliminação do poder político: vamos suprimir todos os governos, as administrações e tribunais, e o povo vai gozar de nata fraternidade.
Por sorte não há como fazer uma revolução anárquica por encomenda: a anarquia aparece quando por quaisquer razões todos os órgãos do poder se destroem e ninguém está no controle da situação; o resultado tem que ser, o de uma força, que quer o poder indivisível para si – e sempre existem aqueles – que irão se aproveitar da confusão geral e desmoralização, impondo a própria ordem despótica; o mais espetacular exemplo disso foi a revolução russa – a instituição do despótico governo bolchevique graças a uma geral anarquia social. O anarquismo está praticamente a serviços da tirania.
Não, o poder não pode ser eliminado, pode-se somente substituir o melhor pelo pior, ou às vezes o contrário. Infelizmente não é assim, a eliminação do poder político não tornará todos irmãos; como os interesses das pessoas estão em conflito por natureza e não por acaso, como é inegável, trazemos em nós uma certa dose de agressividade, como as nossas necessidades e caprichos que podem crescer infinitivamente – então se as instituições de poder político por milagre desaparecessem, o resultado seria não a fraternidade geral, mas sim, um massacre geral.
Nunca houve e nunca haverá “o poder do povo”: isto é tecnicamente impossível. Podem apenas existir vários instrumentos, com ajuda dos quais o povo fica acima do poder e está em condição de trocá-lo por outro. Claro, quando o poder já se encontra no lugar estamos sujeitos às várias limitações e em muitos assuntos importantes não temos escolha; não temos escolha sobre mandar ou não os nossos filhos para a escola, pagar ou não pagar os impostos, passar ou não passar no exame para obter a carteira de habilitação (se quisermos conduzir), e isso se aplica a milhares de outros assuntos.
O controle do povo sobre o poder não acontece também sem erros, o poder democraticamente escolhido também é sujeito à corrupção, as suas decisões freqüentemente estão em conflito com os desejos da maioria, satisfazer a todos nenhum poder consegue, e assim por diante. Essas são coisas banais, conhecidas por todos. Os instrumentos do controle do povo sobre o poder nunca são perfeitos, mas a coisa mais eficaz que a humanidade inventou, para evitar a tirania arbitrária foi exatamente: consolidar os instrumentos de supervisão social sobre o poder e limitar o âmbito do poder estatal até o mais indispensável, para manter a ordem social. A regulação de tudo o que as pessoas fazem nada mais é que o poder totalitarista.
Poderíamos então – e deveríamos – tratar os órgãos de poder político com suspeita, checar o mais possível e caso necessário reclamar deles (e quase sempre é necessário), mas não deveríamos reclamar da própria existência do poder, da própria presença dele, a não ser que inventemos outro mundo, o que já foi a tentativa de vários, porém sem sucesso.
Baseado nas idéias de Leszek Kołakowski, filósofo e historiador polonês, muito conhecido por suas críticas ao marxismo.
Tadziu
sábado, 6 de junho de 2009
“Médium e In Integrum”

Há cursos de formação de médiuns, o que é muito interessante. Prometem aos alunos um curso, com base no Evangelho, o desenvolvimento da própria mediunidade (pois dizem que todos temos) dentro das bases e princípios da Doutrina do Espiritismo.
Vi ainda afirmações sobre mediunidade sendo exercida de forma mecânica, e sendo assim, aleatoriamente sem um objetivo definido. Daí a importância de aprender, reconhecer a própria mediunidade e assim, usar este “poder” ou capacidade individualmente e para a sociedade.
Como grandes facilidades no desenvolvimento e transformação de uma pessoa em Médium estão:
- não há como questionar se é ou não verdade, pois não há fundamento e muita coisa se confunde com delírio. Muito daquilo em que você irá acreditar estará somente no senso comum;
- geralmente você é socialmente respeitado e visto até com um certo medo pelos outros. Raramente alguém te diz que você é pirado, pois trata se de um tipo de religião, que a maioria das pessoas tem;
- além dos evangelhos você tem como bibliografia alguns livros de Kardec e alguns mais, uma bibliografia não muito grande, e dará lucro a pessoas que perceberm esta fatia de mercado;
- não exige especial esforço ou engajamento, uma vez que a mediunidade já está em você e não há limitações ou pré requisitos para seu desenvolvimento, além de sua própria alienação;
- você terá logo a sensação de ser especial e diferente dos outros. Sentirá até mesmo que é superior e melhor, e como muito disso está na área da metafísica, você fica sossegado dando explicações que ninguém pode realmente confirmar ou testar.
Mas e para ser “In Integrum” ou seja, por inteiro?
Você terá que rejeitar a maior parte da metafísica, religiões e semelhantes e pensar de forma racional e lógica. Terá um aprendizado que nunca termina, que nunca te satisfaz, e buscará um desenvolvimento mental e físico permanente. Terá que optar por um dos tantos cursos embasados de forma epistemológica e aceitar que não é possível conhecermos tudo, que os maiores valores estão na realidade e que é possível ser feliz nela.
Entre as maiores dificuldades você terá:
- será questionado e você mesmo questionará a validade das coisas. Quase nada daquilo que você acredita estará no senso comum;
- você com seu racionalismo e lógica terá alguns problemas em sociedade, mas poderá ser realmente respeitado, só que terá mais trabalho;
- seu esforço será grande, pois o conhecimento não é fácil de ser obtido e os meios para isso e a bibliografia são intermináveis e sempre serão, pois produzimos conhecimento a cada instante;
- em muitas das exigências que o conhecimento traz, você terá embasamento empírico e capacidade para uma real apreciação das coisas, então viverá o que há de melhor e tentará transformar o mundo não com bases fundamentadas em nada, mas em uma real vivência.
Então a concepção de tornar se algo não completo é meio estranha. Se realmente todos tivessem a tal mediunidade e agissem de acordo com estes conceitos, a Sabesp teria que, além do flúor, misturar psicotrópicos na água para manter a sociedade em uma relativa normalidade.
A realidade é realmente dolorosa, não é fácil vive la, porém fugir por um caminho médio é no mínimo mais um paradoxo entre tantos que vivemos e talvez um dos menos necessários.
Lembrem-se: Eu ouço vozes, e elas não gostam de vocês!
Tadziu
ENCOSTO - Eu acredito!

É muito interessante notar como as pessoas interpretam fatos. Bocejos, algum desconforto, qualquer tipo de dor ou peso nos ombros ou costas, apesar de tantas explicações possíveis de forma clínica ou lógica, tantas vezes são interpretadas como sendo um encosto. Chega a ser bizarro... Se você tem algum sintoma do gênero, procure um médico, e se achar que o problema é espiritual, PROCURE UM MÉDICO!
Estamos no século XXI e a sensação é a de que ainda somos os mesmos e vivemos como Belchior. Religiões “mais sérias”, exigem hoje exames científicos da questão até dizer que algo espiritual acontece, e como não querem correr o risco do ridículo, raramente admitem um absurdo com facilidade. Outras, que querem ter como foco de atração os espíritos de esquerda, encostos e outras coisas do gênero, saem dizendo que tudo o que não é bom é encosto. Logo não existirão mais cadeiras por esta lógica, somente teremos banquinhos...
Ah, energias, coisas estranhas nos afetam, não podem ser explicadas e então são generalizadas como encosto. Nossa, mas pode ser um carma, e um carma serve para que você possa evoluir, então tem que quer vivido... por qual motivo então você quer se livrar do encosto?
Ah, por estar velho e acabado.
Na verdade, a melhor tradução, interpretação e avaliação de encosto é: tirar totalmente sua liberdade pura e de escolha e culpar algo ou alguém, mitológico ou não, por uma incapacidade ou falta de vontade sua. Assim, você literalmente “encosta no seu encosto” e se sente livre, inocente, vítima, ou, diz que tem um encosto e pede para alguém misticamente removê lo, pois te incomoda, e o pior, ainda encontra gente que consegue ver o desgraçado, geralmente por cima do seu ombro esquerdo...
Há possibilidades, alguns “ous”: ou sua dosagem de bom senso está baixa, ou a dosagem de alucinógenos do outro está elevada, ou você está com medo da vida, ou a esquizofrenia do outro tá em alta, ou você está se enganando, ou esta sendo enganado por alguém, ou ainda, tudo junto... e tantas outras variantes.
Viva, seja responsável, faça escolhas e se não acertar, mude, tente de novo, tente sempre ser ético, enfim, você é o Seu Senhor e nada lhe faltará.
Tadziu
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