domingo, 29 de novembro de 2009

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PAIS E FILHOS




Apreciar o mundo, entender fatos atuais, intrometer-se na especulação daquilo que pode mudar e como pode acontecer o processo é um dos princípios possíveis da filosofia.

Não são poucas as “lendas” a respeito de um filho único e/ou, além disso, filho de pais separados. Pelo senso comum, este tipo de criança tem proprensão a ser um problema, sendo mais caprichosa, tímida e geralmente tirânica com o pai (mãe), com dificuldades nas relações sociais do tipo relacionamento em grupo e apresentam uma certa rebeldia.

Na verdade, traços como os descritos acima podem ser encontrados em todas as crianças, com raras exceções, então, a questão do filho único depende na verdade da casualidade, possibilidades materiais (econômicas) e afetivas daquele que mais convive com a criança.
Segundo estatísticas, 53% das mães de filhos únicos desenvolve uma característica de ser excessivamente absorvente e possesiva, o que é um grande erro que, entre outros fatores, contribui para distúrbios de diversos tipos.

De forma geral, uma criança que é capaz de desenvolver possessividade, jogo, chantagem e outras coisas mais, é uma criança inteligente, ainda que cometa erros de lógica, de comportamento, e valoração. O fato de possuir um certo intelecto diferenciado também colabora com as dificuldades em se encaixar socialmente e lidar com problemas inesperados e eventualmente isso gera ansiedade e até alguma depressão.

A falta de um irmão e/ou outras crianças em um convívio contínuo certamente traz os problemas tão falados em todos os lugares, como a dificuldade para dividir tempo, atenção e coisas, muitas vezes tendendo ao isolamento ou formando laços fortes com o pai ou a mãe, ainda que os use como jogo em suas chantagens almejando a tirania, mas na verdade, isso reflete insegurança.

Na adolescência surgem conflitos diversos e há também uma tendência a se manter o traço infantil, onde alguns são submissos e outros se rebelam querendo uma independência e liberdade que não existem e sequer lhes é de direito nessa idade.
As estatístisticas com relação a este tipo de criança não são muito alentadoras e mostram que 42 % são mais emotivos, coléricos, agressivos e instáveis que outros e sentem dificuldade para se adaptar a diversos fatores como escola e conviver em grupo.

Mas, ater-se a estatísticas seria justificar o quadro, aceitando-o como ele é sem tentar promover mudanças que poderiam ser muito boas para todos, então, não deve-se permitir que o desânimo tome lugar ou aceitar as coisas prontas. O que realmente importa é a educação.

Atualmente é cada vez mais comum encontrarmos casais com só um filho ou casais separados. Segundo o IBGE, 8 em cada dez famílias possuem hoje este perfil, então cada vez mais se torna importante não banalizar o fato, pensando que “uma criança é assim mesmo” e partir para atitudes e mudanças que possam ser realmente construtivas.

Muitos pais acreditam que é bom poder dar tudo para os filhos e mantê-los em inúmeras atividades por todo o tempo. Um ser qualquer, que cresça com tanta facilidade, pensará que o mundo gira a seu redor, e a realidade está muito distante disso, então teremos uma criança chata e frustrada, que não sabe lidar com a realidade e um adulto problemático no futuro.
Um ser criado assim será provavelmente um eterno insatisfeito, não dará valor a nada e esperará tudo sempre pronto.

Devemos ser epicuristas, pois a felicidade não está na capacidade de consumo e o consumo desenfreado ainda poderá nos levar à ruína pessoal e na verdade, também do planeta.

Tudo o que é conseguido facilmente tem pouco valor, então limites devem ser impostos para tudo.

É muito importante que crianças convivam com crianças da mesma idade, pois é onde se desenvolvem valores de grupo, compreensão de moral e ética, capacidade de trocas, comparações, etc.

Os pais parecem também ter problemas com “acontecer alguma coisa” com seus filhos. Felizmente ou infelizmente, isso independe da vontade dos pais, exceto em poucas situações, onde o bom senso se faz necessário. Excesso de proteção é algo prejudicial e pensar que ele é possível é geralmente uma ilusão. Outro fator importante que faz com que os pais errem, é o sentimento de culpa, porém este além de não ser bom para quem sente, é danoso para o próximo pela incapacidade da vontade de mudar as coisas.

Um filho é um ser humano, não mais que isso. Deve-se acompanhar seu desenvolvimento, mas pensar que ele é melhor que outros, que é especial, não é real. Cada pai (mãe) deve ser também capaz de enxergar no filho o que não é bom, o que é errado, os traços específicos de cada ser.

Pais de forma geral não conseguem lidar bem com frustrações e daí, também desenvolvem a mesma dificuldade para permitir que um filho sofra. Para uma criança, um não com carinho porém firmeza é muito melhor que a permissividade.

A chantagem da criança surge exatametne dessa permissividade e ela transforma isso aos poucos em algo como uma lei. Quando dá certo, quando os pais permitem algo facilmente, a chantagem se registra e se mantém como instrumento de barganha, e isso é uma armadilha que transforma o pai ou mãe em reféns de uma situação.

Aceitar a chantagem pode ser mais fácil que suportar as conseqüências, como birra ou mau humor e isso também ameniza a culpa, porém as chantagens não param nunca, pois não é possível fazer tal tipo de criança um ser satisfeito. No futuro isso terá uma reverberação e consequências sérias para viver socialmente.

Quando o problema já está instalado, não é fácil modificar, porém é possível. Os limites devem ser claros e o pai / mãe devem tentar descobrir onde sentem mais dificuldade de dizer não. Necessáriamente a criança deve notar que as mudanças são sérias e que sem mudanças de comportamento além de nada ganhar será afetada e “prejudicada”. A possibilidade de barganha deve ser eliminada e a autoridade reestabelecida. Certamente em um primeiro momento haverá briga, porém deve se manter uma postura firme.

Ainda que o artigo não seja „profissional”, ainda que fosse não poderia e nem deveria ser apreciado literalmente. O grande valor das idéias expostas é a reflexão. Para uma orientação específica, e toda a orientação relativa a situações como as acima descritas deve ser específica, aconselho apenas, de coração, não aceitar as coisas como estão, especialmente no caso de não estarem boas. Então, reflita, lute, tente mudanças. A superação de muitos quadros que vivemos seria na verdade benéfica para todos, individualmente e socialmente.

Tadziu

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PERDÃO - PARTE II



Perdão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa, decorrente de uma ofensa percebida, diferença ou erro, ou cessar a exigência de castigo ou restituição.
O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê a muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.
O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.
Existem religiões que incluem disciplinas sobre a natureza do perdão, e muitas destas disciplinas fornecem uma base subjacente para as várias teorias modernas e práticas de perdão.
Exemplo de ensino do perdão está na "parábola do Filho Pródigo" (Lucas 15:11–32).
Normalmente as doutrinas de cunho religioso trabalham o perdão sob duas óticas diferentes, que são:
• Uma ênfase maior na necessidade das faltas dos seres humanos serem perdoadas por Deus;
• Uma ênfase maior na necessidade dos seres humanos praticarem o perdão entre si, como pré-requisito para o aprimoramento espiritual.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Perd%C3%A3o



Recentemente com uma amiga, retomamos um assunto já postado aqui anteriormente, onde eu questionava a real possibilidade de perdoar, como sendo uma verdade plena.

O artigo anterior:

http://aideofobia.blogspot.com/2009/01/perdoar-per-donare-doao-de-si.html

A Thatiana mantém o valor do perdão muito agregado a valores religiosos, e quem sabe, aquele que realmente em fé, “consiga” perdoar, pois este perdão se dá em Deus. Por ser cético e compreender o espírito humano de outra maneira, não vejo tal perdão acontecendo (dependendo do ato a ser perdoado), seja em Deus ou na alma do indivíduo.

Este artigo comenta um texto chamado “O poder do perdão” de Ágata Székely, publicado na Revista Seleções. A íntegra pode ser lida pelo link:

http://www.selecoes.com.br/revista/5621/O-poder-do-perdao.html

A autora menciona Elton John e diz que além de ser difícil perdoar, perdão é uma palavra mal-entendida.

A valoração que ela dá ao perdão em um primeiro momento, trata somente de eventuais superficialidades, nada de realmente importante e coloca o perdão como necessário para não se sentir o rancor, que é algo que nos incomoda no presente.

A grande questão é: podemos sublimar a lembrança, podemos desconsiderar a pessoa e nos afastar dos sentimentos ruins que determinado ato nos causou, sem que seja necessário perdoar. Perdoar não é o único instrumento que nos permite um alívio da alma, ainda que seja um deles.

Fred Luskin, psicólogo da Universidade de Standford afirma que os problemas devem ser solucionados. Concordo plenamente, até pelo fato de um problema sem solução não ser um problema. Ele diz ainda que o perdão é para nós mesmos e não para quem nos ofendeu. Certo, mas isso encerra a questão do perdão vista por uma ótima religiosa, e transforma o perdão em uma outra coisa, do tipo sublimar, não lembrar, não permite reconciliação, o que não está fora dos conceitos que apresentei para perdão, ou se recoloca semanticamente em uma nova interpretação.

Segundo Luskin:

“[...] o perdão serve para relaxarmos e não significa que o agressor “se dê bem”, nem que aceitamos algo injusto. Ao contrário, significa não sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão.”

Perfeito, realmente não faz sentido manter sentimentos que nos tragam angústia, então, assim como tantas outras coisas que precisamos “esquecer”, este tipo de perdão pode e deve ser instaurado em nós sempre que necessário.

O exemplo citado pela autora relacionado ao Capitão John Plummer não é um bom exemplo para perdão. É uma situação específica, onde alguém recebe ordens, e em uma guerra tais atos são comuns. Não haveria hoje convivência pacífica na Europa se um tipo de perdão deste gênero fosse realmente necessário. Tentei tratar o perdão em relações mais próximas e pessoais. Situações limite como uma guerra, trazem a possibilidade de “distribuição de culpas”, entre o momento histórico, o governo de cada um dos países, etc. Não há quem culpar diretamente, então também não há a quem perdoar.


Boris Cyrulnik, também citado, viveu uma situação extrema de campos de concentração nazistas. Ele traz como “solução” para a questão, nas palavras dele:

“Dá trabalho, não é fácil, mas é um espaço de liberdade interior que permite não se submeter às feridas.”

Ainda assim, não se trata de perdão, e sim de sublimação e de busca da liberdade interior, liberdade do espírito, abandonar angústias.

Na verdade, não se deve manter um papel de vítima e as dores emocionais devem ser superadas, e não importa se isso é feito pelo perdão ou pela sublimação, sendo que a sublimação é mais real.

Segundo a psicoterapeuta Rosa Argentina Rivas Lacayo, presidente da Associação Latino-americana de Desenvolvimento Humano e da Associação de Orientação Holística do México, “sem perdão não podemos crescer nem ficar mais fortes com a adversidade. Também não conseguiremos ser flexíveis e resilientes. Algumas pessoas ‘cozinham’ a dor em fogo brando para mostrar ao mundo como foram maltratadas, e não querem perceber que assim se prejudicam. Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e dar agora. Quando nos apegamos à dor antiga, a autocomiseração embota a capacidade de dar e, quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera de que alguém resolva milagrosamente a nossa vida.”

Perfeito, existe sim a vitimização e muitas vezes se fazer de vítima é chamar atenção para uma carência e eventualmente, uma motivação para uma vingança qualquer. De forma geral, não é um sentimento bom, ainda que em situações específicas, necessário.

Rivas Lacayo diz: “[..] o perdão nos ajuda a reconhecer e admitir que somos frágeis e que não precisamos esconder essa fragilidade. Quando nos tornamos conscientes dos nossos limites, evitamos que a experiência se repita”.

Na verdade, o fato de termos nos sentido emocionalmente abalados é o que nos mostra nossa fragilidade, pois sem esta, não teríamos sofrido e não teríamos o que perdoar. Devemos sim ter consciência de nossos limites, não somente para evitar que determinada experiência se repita, mas para que possamos evitar que venha a acontecer.

Nascemos livres e somos livres sempre, fazemos escolhas, opções, e até mesmo não fazer uma escolha é uma escolha. Em muitas situações, somos responsáveis inclusive pelo que fazem conosco, pois “permitimos” que algo seja feito e não é raro “não nos perdoarmos” por isso, mas geralmente o sentimento surge à posteriori.

Não é possível negar, que todo e qualquer sentimento ruim deva ser afastado, e que as angústias que carregamos nos fazem mal. Sabemos também, que muitas das angústias emocionais acabam por atingir a nossa saúde física. Todavia, limitar nossa capacidade de nos livrarmos de sentimentos ruins pelo perdão, é no mínimo pouco sensato. É como dizer: se você não consegue perdoar, manterá determinada angústia. Não é bem verdade, podemos desenvolver outros instrumentos que sejam tão eficazes quanto o perdão.

Aparentemente, o artigo traz uma nova semântica para a palavra perdão, porém fazendo isso, além de colidir com a interpretação de perdão pelo senso comum, que pertence a um grande número de pessoas, elimina outras saídas viáveis para a busca de um alívio emocional.

Não podemos nos esquecer, que para muitas pessoas, uma vingança quando possível, também traz o alívio necessário. Não estou aqui fazendo uma apologia a respeito da vingança, mas mostrando que entre outros, há situações onde este instrumento também é válido e outra parte merece.

Há uma questão social muito forte, com grande influência religiosa, que torna a vingança algo excessivamente reprovável, torna o homem um cordeiro, um fraco, e esquece que entre tantos instrumentos que a natureza nos deu para sobreviver e continuar a espécie, está a defesa.

De qualquer maneira, a busca deve estar centrada no amor, na ética, na verdade e na justiça, ainda que eventualmente se faça necessário o uso da força.

Dedicado a minha querida amiga Thatiana, que faz com que eu pense em como dar “valorações” a certos elementos espirituais humanos.

Tadziu

terça-feira, 23 de junho de 2009

O QUE É CIÊNCIA?


A introdução da Crítica da Razão Pura de Kant busca firmar os juízos sintéticos a Priori na ciência, mostrando a compreensão de fundamentos no transcedental da experiência. Critíca especialmente a questão de até que ponto é possível realmente conhecer. Kant revisa e aponta juízos sintéticos a priori na matemática, física e metafísica. Daí temos o questionamento mais importante nas perguntas de como é possível conhecer a física pura, a metafísica pura, a matemática pura como ciência.

Daí temos uma propedêutica, uma metodologia até, onde há caminhos e funções de controle para usarmos a razão de modo a exigir experiência como fundamentação. Kant tem como pressuposto a existência de conhecimento a priori, porém a razão necessita provar como o conhecimento é possível.

Kant classifica as Lógicas em Crítica da Razão Pura.

Algumas das idéias de Kant são ainda válidas, especialmente por terem conseguido um status de “não estagnar” as ciências.

Kant na introdução à Lógica Transcedental na obra Crítica da Razão Pura é uma referência nova, uma produção voltada para um tipo de organização didática, um método a ser seguido como correto na busca do conhecimento.

Uma divisão possível da Lógica de Kant é:
Lógica em geral
Lógica transcedental
Lógica Geral em Analítica e Dialética
Lógica Transcedental em analítica e Dialética transcedental.

Kant divide e segmenta em ramificações a classificação de lógica. Daí, Lógica Geral se contrapõe à Lógica Particular. Da mesma forma separa e diferencia questões da Lógica Geral Pura das que se relacionam com a Lógica transcedental. Assim ele cria um lugar, um espaço para um outro tipo de lógica, a Lógica transcedental.

Kant questiona a capacidade que podemos ter em conhecer, e dividindo a Lógica ele cria uma demarcação para o conhecimento, considerando diferentes áreas do saber.

Kant dita tudo o que é necessário para se obter ciência de forma verdadeira, e (até onde ela é possível), tendo o cuidado de nunca conceber verdades falsas.

Para Popper, nosso conhecimento é a concepção de percepções que acumulamos ou assimilamos e classificamos de formas separadas. Aristóteles já dizia que não há nada no intelecto humanos que anteriormente não tenha estado nos órgãos sensitivos.

Atomistas gregos consideraram que átomos desprendidos dos objetos eram sentidos pelos órgãos que os convertiam em sensações e com o tempo de forma lógica, como em um quebra cabeças, montava-se o conhecimento.

“De acordo com essa concepção, assim, nossa mente se assemelha a uma vasilha – uma espécie de balde – em que percepções e conhecimento se acumulam” (Popper, p. 313).

Empiristas radicais, mantém como conselho uma interferência mínima no processo de acúmulo de conhecimento, para que este possa ser verdadeiro e puro, livre de preconceitos que eventualmente possamos agregar a nossas capacidades perceptivas. Bacon tinha como idéia um sistema de depuração mental que deveria afastar os “quatro ídolos”, que estão na mente humana e interferem obscurecendo as idéias, onde o sujeito pode tornar-se uma tabula rasa diante da natureza. Kant nega a possibilidade de percepções puras e afirma que o conhecimento é uma mescla de percepção da sensibilidade e do entendimento, assim, ele afasta-se do empirismo radical.

Popper discorda e julga que a observação no conhecimento científico é “Uma observação é uma percepção, mas uma percepção que é planejada e preparada” (Popper, p. 314). Então para ele o conhecimento científico vem antes de um problema que nos interessa, seja isto especulativo ou teórico. O que observamos necessita antes de uma hipótese ou teoria que irá nortear na busca de uma solução. Como não podemos observar tudo, fazemos isso de forma seletiva.

Lakatos, sobre o Popper falseacionista, inicia criticando o que é capaz de invalidar teorias. Lakatos, de forma semelhante a Kuh, julga a ciência como algo estável de forma geral, porém Lakatos é mais flexível que Kuhn.
A principal diferença entre Lakatos e Kuhn está na questão da maturação da ciência.

Para Kuhn a ciência é estável onde há esforços na busca de soluções por parte dos cientistas, pressupondo-se que independente do tempo que será gasto no esclarecimento de algo, todas as peças do quebra cabeças a ser montado já estão disponíveis e presentes.

Lakatos por sua vez destaca a importância da crítica, de refutar teorias e considerar as anomalias que geram a necessidade de reformulação da teoria. Isso lhe dá uma posição intermediária entre Kuhn e Popper.

Para Popper a ciência é um fluxo, possuí teorias refutáveis, e testes empíricos descartam teorias falsificadas.

Para Lakatos a ciência é razoavelmente estável, mas necessita de revisões parciais teóricas, de teorias parcialmente refutáveis, e teorias que tiveram resultados empíricos falsificados não necessitam de total abandono.

A tenacidade de uma teoria contra a evidência empírica seria então um argumento mais a favor do que contra a sua qualificação como “científica”, a “irrefutabilidade” tornar-se-ia uma marca distintiva da ciência. (Lakatos, 1979, p.124)

Para Kuhn a ciência estável, com anomalias que ocupam papel secundário e são relativamente desprezadas, o seu papel para derrubar teorias é pequeno.

Há uma diferença importante na busca de conhecimento para Kuhn e Lakatos. Para Kuhn a ciência é estável e os pesquisadores “montam quebra cabeças” onde existe uma resposta desde o início, seguindo normas básicas: junte um vagão a um trem sem sair dos trilhos. Anomalias são para ele incapazes de destruir ou modificar teorias sem algum complemento maior.

Lakatos divide seu Programa de Pesquisa Cientifica em duas partes: a heurística positiva e a heurística negativa, consecutivamente (cinto protetor e núcleo Hardcore).

Todos os programas de pesquisa científica podem ser caracterizados pelo seu “núcleo”. A heurística negativa do programa nos proíbe dirigir o modus tollens para esse “núcleo”. Ao invés disso, precisamos utilizar nosso engenho para articular ou mesmo inventar “hipótese auxiliares”, que formam um cinto de proteção em torno do núcleo, e precisamos redirigir o modus tollens para elas. (Lakatos, p. 163)

Para ele, o núcleo é intocável. Os cientistas dentro do conceito de seu PPC possuem um comportamento como os “normais” de Kuhn com relação ao paradigma. Com relação ao cinto protetos, Lakatos considera a refutação e destaca o valor da crítica às teorias como algo favorável para a manutenção do PPC, pois cientistas podem transformar derrotas aparentes em triunfos.

CONCLUSÃO:

A ciência é um conhecimento racional, crítico, provisório, sempre disponível a complementação e correção. Não é algo pleno, perfeito, mas uma construção permanente de interpretação da realidade parcial.

As observações do cientista são guiadas por teorias e hipóteses, e não são puras ou imparciais, pois o cientista não é um descobridor ou alguém que confere através de métodos indutivos, e sim alguém que cria conjecturas que devem ser testadas de forma rigorosa, tanto quanto possível, e usar de refutação em experimentos controlados. Assim, as teorias podem englobar cada vez mais conhecimento, buscar profundidade, embasamento e corroboração, e assim se aproximar da verdade.

Tadziu

CRÍTICA DA RAZÃO PURA - METAFÍSICA




Immanuel Kant afirma que o domínio da razão e o rigor científico podem recriar a metafísica como conjunto dos conhecimentos dados apenas pela razão, sem utilizar os dados da experiência. A metafísica para Kant reduz-se ao estudo das condições e limites do conhecimento.

Kant separa o conhecimento sensível que se relaciona às instituições sensíveis do conhecimento inteligível que trata de idéias metafísicas.
A Crítica da Razão Pura trata especialmente dos motivos pelos quais as metafísicas são voltadas ao fracasso e das razões pelas quais a razão humana é impotente para conhecer as coisas em profundidade.

Ciência e Metafísica

Immanuel Kant tem como método a "crítica", a análise reflexiva. Visa trazer à tona do conhecimento condições que possam torná-lo legítimo. As verdades da metafísica são alvo de discussões intermináveis e grandes pensadores não estão de acordo com as várias abordagens e interpretações.

Ainda assim, a razão constrói sistemas metafísicos, pois existe uma tendência natural de buscar interminavelmente a unificação, ainda que além da experiência possível. O metafísico tenta ir além do empírico e da causalidade na medida em que se afasta deliberadamente da experiência concreta.

Crítica da Razão Pura divide a filosofia transcedental teórica e a metafísica em si. Uma é a teoria que dá referência e significado a conceitos a priori na experiência possível e trata da verdade ou falsidade como possibilidade, a outra usa esses juízos para a priori legislar sobre a natureza em uma experiência possível.
A experiência usa os sentidos externos e internos para dividir a natureza em pensante ou corpórea.

Assim, a metafísica da natureza corpórea trata do que é indispensável para a metafísica geral, ou seja, trata da filosofia transcedental atribuindo valores e significados a uma forma básica de pensamento.

O conhecimento pode ser tratado como uma síntese a priori e pode dar universalidade tanto à matéria como a conteúdos do mundo exterior. Kant com seu juízo sintético a priori, reúne conteúdo e forma e esta síntese concretiza uma superação pelos juízos a concepção dogmática racionalista baseada somente no empirismo cético. Assim, com suas idéias, ele abre possibilidades para validar sua descoberta abrangendo todos seus pressupostos gnosiológicos.

Até os dias atuais, a metafísica é mantida em uma situação incerta, com contradições e talvez o fato de não ter sido explorada devidamente ou anteriormente, ainda seja uma coisa insatisfatória como instrumento que resolva efetivamente algum tipo de problema. Mesmo com as distinções de juízos em analíticos e sintéticos, parece não resolver totalmente a questão.

Kant afirma que falando de Filosofia, não é possível afirmar nada sobre o mundo inteligível. Pelo aspecto metafísico, Crítica da Razão pura demonstrou os paralogismos e antinomias sobre as possíveis idéias da ração. Kant não demonstra a metafísica como sendo impossível em momento algum, talvez pelo fato dela ser necessária para a ética. É na epistemologia que a metafísica encontra pretensões de pela razão tornar-se conhecimento incondicional. A crítica vem como instrumento que demonstra a impossibilidade da metafísica tornar-se ciência e vem acompanhada de orientações para que o homem obedeça a regras e não ultrapasse simplesmente o valor do empirismo. O grande destaque de Kant está no fato de ser necessário conhecer aquilo que está nos objetos transcendentes, que são apenas pensados sem a possibilidade de experiência. A razão deve ter como preocupação não o mundo noumênico, mas o mundo dos fenômenos. Na tentativa de solucionar questões transcendentes, a razão se perde e consegue somente argumentos errôneos e falaciosos.


Tadziu

Platão e o Ser


Platão - Ser

Uma das principais teorias de Platão está na criação do mundo sensível e do mundo das idéias, em uma tentativa de decifrar o conflito que Heráclito e Parmênides criaram.

Segundo Aristóteles, quando jovem Platão conheceu Grátilo, e este afirmava, assim como nas idéias de Heráclito, ser impossível atingir um conhecimento estável, qualquer que fosse.

Mundo das Idéias e Mundo Sensível

Baseado nas teorias de dois grandes filósofos pré socráticos, Heráclito e Parmênides, Platão buscou resolver a questão antagônica de ambos com uma teoria própria.

Para Platão, Heráclito estava correto com relação às percepções do mundo sensível e material, onde a matéria era imperfeita e estava em constante mudança. Parmênides estaria certo quando exigia o afastamento da Filosofia do mundo sensível buscando a veradade naquilo que somente o pensamento poderia compreender.

Para Platão há dois mundos separados:

a) mundo sensível, dos fenômenos acessíveis aos sentidos
b) mundo das idéias gerais (cognoscível), que o homem pode atingir através da contemplação e depuração dos enganos dos sentidos.

Assim, a oposição de Heráclito à mutabilidade essencial do ser e a postura de Parmênides sobre o ser imóvel, para Platão, recebe uma relação entre mundo das idéias parmenideo e mundo fenomenológico do devir heraclitiano.
O livro VII da República de Platão (Mito ou Alegoria da Caverna) é uma boa explicação da teoria de Platão. (Caso não conheça, procure e leia, vale a pena refletir sobre).

Os homens que se libertam conhecem a essência das coisas, o mundo das idéias, os presos conhecem somente o mundo sensível.
Platão, apesar de deixar questões em aberto, o que foi criticado por Aristóteles, e outras afirmações ainda hoje não compreendidas, como imortalidade da alma e reencarnação, é um grande marco para a filosofia.

Tadziu

Kant
Crítica da Razão Pura
Doutrina transcedental dos elementos
Lógica Transcedental



Introdução



Kant classifica as Lógicas em Crítica da Razão Pura.
Algumas das idéias de Kant são ainda válidas, especialmente por terem conseguido um status de “não estagnar” as ciências.
Kant na introdução à Lógica Transcedental na obra Crítica da Razão Pura é uma referência nova, uma produção voltada para um tipo de organização didática, um método a ser seguido como correto na busca do conhecimento.
Uma divisão possível da Lógica de Kant é:
Lógica em geral
Lógica transcedental
Lógica Geral em Analítica e Dialética
Lógica Transcedental em analítica e Dialética transcedental.
Kant divide e segmenta em ramificações a classificação de lógica. Daí, Lógica Geral se contrapõe à Lógica Particular. Da mesma forma separa e diferencia questões da Lógica Geral Pura das que se relacionam com a Lógica transcedental. Assim ele cria um lugar, um espaço para um outro tipo de lógica, a Lógica transcedental.
Kant questiona a capacidade que podemos ter em conhecer, e dividindo a Lógica ele cria uma demarcação para o conhecimento, considerando diferentes áreas do saber.


Lógica em Geral e Lógicas Particulares


Para Kant, o entendimento humano se dá pela formulação de juízos o que significa poder universalizar e representar dois ou mais conceitos de forma objetiva e válida. O entendimento não é aleatório para Kant e deve seguir normas que podem ser gerais se servirem para qualquer juízo, independente do conteúdo, ou particulares, caso sejam válidas exclusivamente em algumas situações onde o pensamento avalia um conjunto determinado de objetos.
Regras particulares de pensamento são contingentes por considerar em determinado momento a formulação de juízos sobre uma área específica de conhecimento. Pelo fato de se ajustarem a áreas específicas como física, sociologia, química, etc, as Lógicas particulares de entendimento são órganons (métodos) para a apreensão do conhecimento de determinada ciência.
Regras de uso geral se aplicam a qualquer argumento ou juízo possíveis, puros ou empíricos. Em Crítica da Razão Pura, Kant apresenta doze meios de conferir unidade ao conhecimento que desencadeou um juízo. Além dos doze meios para se chegar a juízos, a Lógica Geral possuí inferências para os raciocínios indutivos, dedutivos, etc. O princípio da não contradição e o terceiro excluído são necessidades mínimas a serem atendidas para um pensamento.


Lógica Geral Pura e Lógica Geral Aplicada

Kant trata a Lógica por diversas vezes como sendo uma ciência de regras para o pensamento. O único tipo de Lógica a manter algo de psicologia é a Lógica Geral Aplicada:

“Quanto à Lógica que denomino aplicada (contra a significação comum desta palavra, que designa certos exercícios e cuja regra a Lógica pura fornece) é que representa o entendimento e as regras de seu uso necessário considerado “in concreto”, quer dizer, enquanto se acha submetido às condições contingentes do sujeito que poderão ser-lhe opostas ou favoráveis, não sendo jamais dadas “a priori”. Essa Lógica trata da atenção, de seus obstáculos e efeitos, da origem dos erros, do estado da dúvida, do escrúpulo, da persuasão, etc.”
(Kant, pág. 33)

Mesmo para Kant, Lógica Geral Aplicada é um tipo de conhecimento psicológico com base em dados empíricos, então não deveria ter este nome. Nesta classe estariam conhecimentos obtidos com experiência relacionada com a aplicação ao dia a dia. Assim, é possível depurar os pensamentos sobre as atividades do pensamento em geral das influências psicológicas que interferem.
Lógica Geral acrescida do termo “Pura” serve para com maior precisão efetuar delimitações para o que é ciência, que seria uma investigação a priori das necessidades, normas e regras para um pensamento puro, ainda que em Crítica da Razão Pura tenhamos muitos termos da Psicologia, como “consciência”, “juízo”, “representação”. Apesar disso, temos sim muitas regras sobre como deve ser a Lógica Geral Pura para o pensamento.
Existe uma grande ligação entre validade e formalidade Geral da Lógica Geral Pura.
As Leis Lógicas são bastante descritivas e movem o entendimento e a razão, sendo normativas. Kant necessariamente tem que encontrar saídas com relação ao valor necessário universal e os riscos de produzirmos raciocínios e juízos falsos.


Lógica Geral Pura - Lógica Formal


“`Pura” refere-se a conteúdo da Lógica Geral (a priori), não empírica, válida de forma universal e necessária, excluindo não só regras de cunho psicológico consideradas pela Lógica Aplicada, mas também o conteúdo daquilo que se conhece, assim, a Lógica Geral Pura pode ser uma ciência formal.
A Lógica Geral Pura permite um uso geral, em qualquer área do conhecimento.
Na Crítica da Razão Pura, temos regras do entendimento podendo ser usadas sem relação com a sensibilidade, pois um conceito só possuí conteúdo se preenchido pelo menos por uma intuição pura empírica e intuições sensíveis só podem ser atribuídas pela sensibilidade.
Então, o conhecimento humano é possível graças à interação entre entendimento e sensibilidade, que são faculdades cognitivas.
A Lógica Geral Pura possuí regras formais e trata do entendimento e da razão. Para Kant, errar era considerar verdadeiro um falso juízo e ele pode ser falso de duas maneiras: uma associação entre sujeito e predicado que não está de acordo com os fenômenos (falsidade material) ou sua forma (estrutura) é afetada por alguma regra da lógica, como o princípio de não contradição.
Apesar da Lógica Formal ser uma ciência descritiva, ela pode ser enganosa e sugerir leis coercitivas sobre o entendimento o que pode transformar um juízo formal falso em uma verdade paradoxal. Isso se desfaz se possível for observar algo como o princípio de não contradição, anulando o efeito.
Kant explica as possibilidades de juízos não verdadeiros terem esta aparência induzindo ao erro.

“A Lógica geral decompõe, pois, em seus ele mentos toda a obra formal do entendimento e da razão, e os apresenta como princípios de toda apreciação lógica do nosso conhecimento. A esta parte da Lógica pode dar-se o nome de analítica, e e desta sorte a pedra de toque da verdade, ainda que negativa, porque cumpre controlar e julgar segundo as suas regras a forma de todo conhecimento, antes de lhe examinar o conteúdo, para ver se em relação ao objeto contém alguma verdade positiva. Mas como não basta de modo algum para decidir sobre a verdade material (objetiva) do conhecimento, a forma pura do mesmo, por muito que concorde com as leis lógicas, ninguém pode aventurar-se apenas com a Lógica a julgar objetos, nem a afirmar nada, sem ter antes achado, e independentemente dela, manifestações fundadas, salvo pedir em seguida às leis lógicas em uso e encadeamento em um todo sistemático, ou melhor ainda, submetê -los simplesmente a essas leis.” (Kant, pág. 35)


O fato de sermos capazes de perceber um juízo falso evidencia que as leis lógicas valem de forma universal como avaliação de juízos.


Lógica Transcendental


Toda investigação buscando meios para o conhecimento a priori, seja Física, Metafísica ou Matemática Pura, tem este nome para Kant.
A Lógica Transcendental busca conceitos puros e possibilidades de conhecimento a priori, que Kant chama de conceitos puros do entendimento, e o conhecimento a priori só é válido se aplicado a experiências possíveis.
A Lógica Transcendental então traz condições de possibilidade da Lógica Geral Pura e também da Física e Matemática.
Há limitações e se ignorarmos estas usando Lógica Geral Pura como órganon na construção (somente com ela) de um conhecimento verdadeiro, faremos um uso dialético dela, e a Dialética nesta situação seria uma aplicação ruim da Lógica Geral Pura e artificialmente poderia criar um conhecimento verdadeiro encobrindo juízos e raciocínios.
A Lógica Transcedental é passível de divisão em analítica e dialética. A Analítica Transcendental além de expor o conjunto de conceitos e princípios puros que são a forma de entendimento, também explica como é a relação entre entendimento e sensibilidade que gera a construção de conhecimentos com base em juízos sintéticos a priori.
A aparência transcendental, como uma ilusão natural da razão, só pode ser desvelada por um procedimento crítico que tenha bem presentes conceitos e intuições.

Conclusão

A Razão na Crítica da Razão Pura, é uma faculdade do pensamento humano e serve para buscar o incondicionado, que seria a síntese absoluta de todos os conhecimentos possíveis. Mas esse incondicionado nunca poderá apresentar-se sendo objeto de experiência para o humano, como se nota em Analítica e na Estética Transcendentais – e essa é uma condição imprescindível para formular juízos sintéticos a priori. Uma vez que a razão pura é incapaz de produzir conhecimento teórico, resta como importante para nortear a produção de conhecimento científico com idéias.

Tadziu