segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

POR UM POUCO DE ESQUECIMENTO


O passado é nosso e podemos olhar para ele com propriedade, tanto no sentido de posse como de capacidade de avaliação, se possível, real. Apesar da tendência de não nos incluirmos no passado como participantes ativos, ele é nossa história e nós a construímos, errando ou não. O que é péssimo com a questão do passado, é olhar para ele de forma próxima demais, com exacerbação. Nostalgia, saudade, parecem ser também conceitos sociais de valorização de algo que “teve” seu valor, porém deve muitas vezes perdê-lo. Supervalorizar o passado e nossa memória pode muitas vezes atrapalhar nosso futuro e na verdade, devemos nos esforçar para viver o presente, sendo ou não bom, mas com perspectivas de mudanças sempre.

Nietzsche dá valor ao esquecimento e julga que esquecer é sim importante para nosso futuro, e ainda, que esquecer é necessário para o indivíduo e também para um povo. A realização de um futuro bom exige muitas vezes o esquecimento do passado. Nietzsche não defendia um esquecimento puro e simples, mas uma recriação da memória onde o importante é libertar-se. Ele também alega ser possível viver quase sem lembranças e ainda assim ser feliz. Sinceramente, acredito que não sejam poucas as lembranças das quais devemos nos livrar e então sim, voltar a pensar em felicidade.

Não aceitar perdas é uma das formas melhores a escolher para adoecer. Nietzsche ainda reforça dizendo que: “saber esquecer” é uma condição para a vida boa: “Quem não é capaz de se estabelecer na soleira do instante, esquecendo tudo que é passado (...), não saberá jamais o que é felicidade e o que é pior, jamais será capaz de fazer com que outros sejam felizes”.

Só podemos perder aquilo que um dia tivemos, então algo foi vivido, lutou-se por algo, acreditou-se em algo, houve vida. Quando acaba, devemos ajudar os mecanismos naturais de auto defesa e esquecer. Nem sempre é fácil, muitas vezes é necessário.

Tadziu

Um comentário:

Di disse...

Após ter lido o texto refleti um pouco. Além de concordar com essa necessidade de esquecimento ou pelo menos da tentativa por ele, penso que as vezes é necessário esquecermos até mesmo um pouco do que é presente. Como? Porquê?
Para tentar controlar algo que nos traz boa parte de nossas decepções: a expectativa. A expectativa de tudo que esperamos de alguém, de algo que pode acontecer e talvez nunca aconteça. Controlarmos a ansiedade, a agonia da cansável espera por uma grande história, qualquer que seja ela.