domingo, 6 de julho de 2008

Religião e Capitalismo


Maximillian Carl Emil Weber é considerado um dos fundadores da Sociologia. Nasceu em Erfurt a 21 de Abril de 1864 e faleceu em Munique em 14 de Junho de 1920. Foi economista, jurista e intelectual alemão. Casado com Marianne Schnitger que era socióloga e historiadora de direito.
Seu pai era protestante e uma figura autocrata. Sua mãe uma calvinista moderada. A mãe de Helene tinha sido uma huguenote francesa, cuja família fugira da perseguição na França.
Conhecido especialmente por seu trabalho sobre a Sociologia da Religião, juntamente com Karl Marx e Emile Durkheim, é um dos modernos fundadores da sociologia.
Max Weber é autor da Ética protestante e o espírido do Capitalismo, assunto que quero abordar com alguma profundidade, dada a importância que o capitalismo assume no formato em que o vivemos especialmente nos países “em desenvolvimento”. A obra em questão é um ensaio sobre as religiões e a afluência de seus seguidores. Apesar de subjacente á obra de Weber estar a realidade da Alemanha no início do século XX em termos econômicos, é muito válida mesmo hoje, uma vez que o atual quadro social é fruto e ainda é influenciado pela religião.
Weber também desenvolve um pensamento crítico e claro sobre a política, em um ensaio sobre política como vocação, onde coloca o estado como essencial no pensamento da sociedade ocidental, onde ele tem o monopólio e é livre com legitimação para atuar de forma coercitiva, onde então, política passa a ser a produção do poder.
Weber cita “a verdadeira ética católica”, como sendo a ética do Sermão da Montanha, para quem não lembra, a questão de “oferecer a outra face” não mais existindo em um político. Uma ética como a mencionada se relaciona a um santo e não a um político, e este por sua vez, se distancia dos governados e é apenas governante, esposando a ética dos fins últimos e também a da responsabilidade.
É inegável a influência da religião na vida política, social, valores, moral, etc. O pensamento católico durante séculos manteve o mundo economicamente estático. A ideologia católica do convencimento, bem mais típico de economias tradicionais, pregava que a riqueza deveria ser distribuída de forma a mais eqüitativa possível. A crítica implacável à figura do usurário é um símbolo da atitude católica durante um longo período. Claro, questões assim não se aplicavam à própria igreja (e ainda não se aplicam), mas a idéia aqui é compreender a sociedade e a forma que esta sofre influência religiosa na economia e em suas relações.
Surge então a cultura protestante e o “esprírito do capitalismo”, que passam a relacionar tudo à predestinação baseadas em uma idéia de que Deus determinou e decretou o destino de todos os homens. Surgem com os protestantes idéias mais fortes de sinais sobre a vida sendo determinada já com os “eleitos” de Deus e os predestinados à danação.
Uma grande diferença que surge entre o tipo de abordagem que a religião causa no universo social:
Para os católicos, existem elmentos atenuantes que lhes permite cometer erros e deslizes, além da pregação da “gratuidade” no seus atos, que podem e deve ser feitos por qualquer um para qualquer um, mas para os protestantes, destacando-se aqui os calvinistas, é exigida uma comprovação para ser eleito de Deus e vive-se enormes limitações e restrições relacionadas à liberdade do fiel com relação a seus atos e a seu racionalismo. A visão de mundo proposta pelos protestantes é uma iluminação pela santificação e cada ato do cotidiano conta, o que faz com que o trabalho tenha grande valor e enaltecimento, visto também como pontuação na tal santificação, o que permite que a ética protestante e o espírito capitalista convivam de forma articulada.
Os atos racionais que temos com relação a um objetivo são determinados por aquilo que espearamos do comportamento, o que é válido para o mundo exterior e também com relação a outros homens, então, todos passam a buscar e perseguir objetivos transformando-os em metas principais. As religiões influenciam diretamente o modo de busca.
O ato, a ação racional, é um valor definido pela crença “consciente” em um valor impenetrável, que pode ser: ético, estético, religioso, entre outras formas de conduta. É um agir que assume riscos, é fiel à sua “honra”, seja ela qual for e à sua crença, e esta toma conta de sua consciência, e o homem comete atos tendo a crença como base, como por exemplo o capitão que afunda com o seu navio.
Para Weber, a ciência positiva e racional pertence ao processo histórico de racionalização, sendo composta por duas características que comandam o significado e a veracidade científica. Em que estas duas características são o não-acabamento essencial e a objetividade, em que esta, é definida pela validade da ciência para os que procuram este tipo de verdade, e pela não aceitação dos juízos de valor. Segundo ele o não-acabamento é fundamental, diferentemente de Durkheim que acredita que a Sociologia é edificada em um sistema completo de leis sociais.
Weber por sua vez defendia que para todas as disciplinas, tanto as ciências naturais como as ciências da cultura, o conhecimento é uma conquista que nunca chega ao fim. A ciência é o devir da ciência. Seria necessário que a humanidade perdesse a capacidade de criar para que a ciência do homem fosse definitiva.
A objetividade do conhecimento é possível, desde que se separe claramente o conhecimento empírico da ação prática. Segundo Weber essa é uma atitude que depende de uma decisão individual do pesquisador, ou seja, os cientistas devem estar dispostos a buscar essa objetividade.
Na concepção dos autores Weber e Durkheim, há uma separação entre ciência e ideologia. Para Weber também há uma separação entre política e ciência, pois a esfera da política é irracional, influenciada pela paixão e a esfera da ciência é racional, imparcial e neutra. O homem político apaixona-se, luta, tem um princípio de responsabilidade, de pensar as conseqüências dos atos. O político entende por direção do Estado, correlação de força,
A sociologia de Max Weber se inspira em uma filosofia existencialista que propõe uma dupla negação. Nega Durkheim quando afirma que nenhuma ciência poderá dizer ao homem como deve viver, ou ensinar às sociedades como se devem organizar. Mas também nega Marx quando diz que nenhuma ciência poderá indicar à humanidade qual é o seu futuro.
A ciência weberiana se define como um esforço destinado a compreender e a explicar os valores aos quais os homens aderiram, e as obras que construíram. Ele considera a Sociologia como uma ciência da conduta humana, na medida em que essa conduta é social.
Se a sociedade nos impõe valores, isso não prova que ela seja melhor que as outras. Sobre o Estado, o conceito científico atribuído por Weber constitui sempre uma síntese realizada para determinados fins do conhecimento. Mas por outro lado obtemo-lo por abstração das sínteses e encontramos na mente dos homens históricos.
Apesar de tudo, o conteúdo concreto que a noção histórica de Estado adota poderá ser apreendido com clareza mediante uma orientação segundo os conceitos do tipo ideal. O Estado é um instrumento de dominação do homem pelo homem, para ele só o Estado pode fazer uso da força da violência, e essa violência é legítima, pois se apóia num conjunto de normas (constituição). O Estado para Durkheim é a instituição da disciplina moral que vai orientar a conduta do homem.
Weber tem a religião como tema muito presente em seus trabalhos. “"A ética protestante e o espírito do capitalismo" é uma grande obra abordando o tema. A intenção era compreender as implicações das orientações religiosas na conduta econômica dos homens, procurando avaliar a contribuição da ética protestante, em especial o calvinismo, na promoção do moderno sistema econômico.
O desenvolvimento do capitalismo para Weber devia-se em grande parte ao acumulo de capital, ainda na Idade Média. Os pioneiros do “novo capitalismo” faziam parte de seitas puritanas levando uma vida pessoal e familiar rígida. Graças às convicções religiosas esses puritanos acreditavam que o êxito econômico era uma benção de Deus.
A definição de capitalismo se dava pela existência de empresas com o objetivo de produzir o maior lucro possível e onde o meio para isso era a organização racional do trabalho e da produção. A união do desejo de lucro e disciplina racional são a constituição básica do capitalismo.
Vale a pena pensar na influência da religião, especialmente das pentecostais, que ainda hoje, ou especialmente hoje, usam de todos os meios para tornar os meios de produção mais distantes dos “não eleitos”.

2 comentários:

Maria disse...

Olá Tadeu,
Interessante.
Concordo com a influência das religiões, mas cautela,é preciso muita Educação para alterar esse tipo de coisa, e o nivél de consciência... esse tá demais.
Partilho com você a questão dos animais, não consegui ir até o fim do vídeo, é um dos poucos motivos que me fazem chorar, os animais.
Um abraço
Cida Malagrino

Cristiano R. Cunha disse...

Oi Tadeu! ; )

Eu costumo dizer que vivemos uma escravidão moderna. Os grandes detentores do capital (hoje, corporações) evoluíram e não necessitam mais de chicotes, capitães-do-mato, etc. Hoje em dia é tudo tão moderno que nem notamos que não somos livres, rsrs.

Em relação às religiões, aff... sem comentários.

Abraçãooooo!