quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

PERDOAR – “PER DONARE” – DOAÇÃO DE SI



É um sentimento, um afeto que gera diversas emoções, entre elas remorso, mágoa. Um perdão real é difícil, pois ele estaria atrelado ao esquecimento e não à lembrança em certos momentos de eventual raiva. Para alguns é “possível”, assim mesmo, com ressalvas, e para alguns impossível. Perdoar também tem relação com fato, motivo, pois além das diferenças de capacidade de perdão que cada ser tem, existem coisas imperdoáveis sim. Perdão é excessivamente ligado a religião, e daí temos um conceito forte de PERDÃO, que deveria ser possível para qualquer coisa ou ato. Pessoalmente não creio nisso.

Além do fato de perdoar ser um grande feito, e dos dias atuais serem de grande egocentrismo e intolerância, não devemos desconsiderar que não perdoar pode também ser uma postura firme para um valor ou conceito. Ater-se a uma obrigatoriedade do perdão é imaturo ou no mínimo, pouco real. Apesar disso, do direito a não perdoar que devemos ter, sentimentos como raiva, ódio, etc, devem ser eliminados pois nos corroem o espírito. Não perdoar deve ser o suficiente para encerrar os sentimentos ruins eliminando qualquer outro tormento.

“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te”. *

Geralmente o perdão se faz necessário após um ato qualquer e está ligado não somente ao que perdoa, mas ao que quer ser perdoado. O ser que “precisa” do perdão, muitas vezes comete atos que também se tornam imperdoáveis, como mentiras, chantagens emocionais e outras, o que às vezes somado à questão do “perdão inicial necessário” torna-o impossível.

Apesar de podermos considerar, que o julgamento que fazemos é muitas vezes superficial e/ou tendencioso, é a afetividade de cada um que decide o ato sensível posterior, ou seja, podemos ou não aceitar o ocorrido.

“O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas como elas não são”.*

Daí também surge um grande problema em lidar com a realidade e precaver-se de eventuais falhas e atos que proporcionem no outro algum tipo de grave erro.

O verdadeiro perdão, sendo este compreendido com fundamento religioso ou não, requer esquecimento, o que o torna praticamente impossível. Somente esquecendo podemos “não cobrar” um determinado fato em um outro momento desagradável.

Não perdoar é também uma maneira de finalizar algo em que não mais se acredita. Na verdade, perdoar também é um ato de egoísmo e interesse.

“É muito difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil”.*

O importante, é saber e ter consciência de que a postura de “não perdão” pode também evitar a repetição de algo desagradável, às vezes pior que o originalmente cometido.

*Nietzsche

Tadziu

5 comentários:

marisa licursi disse...

Perdoar faz bem...

TADZIU disse...

Pode fazer bem, mas há uma supervalorização da questão e o perdão MUITAS vezes é apenas um ato de hipocrisia.

Di disse...

Nunca perdoei ninguém na minha vida... Já cometi a hipocrisia de dizer que perdoava... Aí aprendi que não é apenas o falar e sim o sentir... Aí decidi que não ia perdoar se não fosse o que eu sentia... Então concluí que nunca perdoei ninguém na minha vida...

Thati Bordados disse...

Perdoar sempre...70 vezes 7 se necessário for. O fato de perdoarmos não quer dizer que esquecemos, mas sim que compreendemos que TODOS somos humanos, falíveis, cheios de defeitos, e todos necessitamos de perdão. É fácil perdoar? Não. Mas é algo que deve ser praticado, pois sem o perdão, na minha concepção, não há como ter paz. O único que é capaz de esquecer nossos erros é Deus, mas nós não somos Deus, não esquecemos porque não há como apagar algo que já aconteceu, mas isso não significada que não podemos perdoar.

TADZIU disse...

Mas você realmente consegue perdoar?