terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Homens Animais


"A compaixão para com os animais é intimamente ligada ao caráter de cada um. Pode se dizer, com segurança, que aquele que é cruel para com os animais não pode ser um homem bom". (Arthur Schopenhauer - 1788-1860)

Muitas pessoas ficam assombradas e consideram a proteção animal algo irreal e desnecessário num momento, em que a humanidade passa todas as necessidades possíveis e imagináveis.
Esquecem-se muitas vezes de duas coisas importantes: já existe “gente demais cuidando de gente” e “gente demais criando problemas”, o que exigiria outros tipos de solução, desde controle de natalidade, melhora da cultura geral, legalização do aborto e outros tópicos polêmicos e difíceis de tratar. Em outro momento tentarei.
Vamos tentar discutir outro aspecto importante na avaliação da civilidade, do ser humano e na importância que pode ter o tratamento que destinamos aos animais. Tentarei fazer a abordagem a partir de uma ciência pouco discutida apesar de importante, por si só e por mesclar diversas outras ciências como sociologia, política, biologia, psicologia, etc. A criminologia.
Com base em Rousseau, a criminologia deve procurar a causa do delito na sociedade (Veja Rousseau, Personalidade Criminosa) . Para Lombrosso, cuja a obra pode ser considerada antropologia criminal. Para Lombrosso, o "criminoso nato" podia ser avaliado por determinadas características somáticas, e seria possível determinar quais os indivíduos que se voltariam para o crime.
Várias são as teorias a respeito de criminalidade, abordando praticamente todas as áreas, mas sabemos hoje, que isoladamente não são eficazes ou reais. A criminalidade, a violência, a agressividade, etc, são geradas e atingidas por elementos bio-psico-sociais, e devem levar ainda em conta a parte endocrinológica do indivíduo, aos genes, ao afeto, família, sociedade, falta de oportunidades, frustrações, etc.
O assunto é muito longo e na tentativa de “resumir”, vamos citar a relevância existente na forma de tratar animais, com traços psiquiátricos doentios:
O assassino em série (serial killers), que é uma grande dificuldade de avaliação e determinação dos fatores que causam tal distúrbio, é um caso curioso e à parte, mas considera-se um assassino serial aquele que comete o mesmo crime por no mínimo três vezes com um certo intervalo entre os assassinatos. O assassino serial escolhe suas vítimas por características semelhantes e as mata também de forma semelhante, diferentemente do assassino em massa, que apenas elimina vítimas sem maiores preocupações.
Em análises de personalidade de tais tipos de assassinos (entre tantos outros), geralmente encontram-se anormalidades que se destacam. ATOS DE VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS, por exemplo, são indicadores de psicopatologia, e raramente se limita aos animais.

Albert Schweitzer, cientista humanitário diz: "quem quer que tenha se acostumado a desvalorizar qualquer forma de vida corre o risco de considerar que vidas humanas também não têm importância".

Robert K. Ressler, agente do FBI que nos anos 70 desenvolvia perfis de criminosos, e iniciou o uso do termo “Serial Killer”: "assassinos freqüentemente começam por matar e torturar animais quando crianças". Muitos são os estudos demonstrando que atos de crueldade contra animais podem ser o primeiro sinal de uma patologia violenta que poderá incluir, no futuro, seres humanos.

Alguns exemplos de seriais que torturavam animais:

Patrick Sherrill, assassinou quatorze pessoas em uma agência de correios e depois cometeu suicídio atirando em si mesmo. Roubava animais de estimação para que seu próprio cão pudesse atacá-los e mutilá-los.

Earl Kenneth Shriner, que estuprou, esfaqueou e mutilou um garoto de sete anos de idade. A vizinhança o conhecia por colocar explosivos em ânus de cães e estrangular gatos.

Brenda Spencer, que disparou tiros em uma escola de San Diego. Matou duas crianças e feriu nove. Com freqüência maltratava gatos e cachorros, geralmente ateando fogo em suas caudas.

Albert De Salvo, o "Estrangulador de Boston", matou treze mulheres. Quando jovem aprisionava gatos e cães em engradados de laranja e depois treinava arco e flecha atirando nas caixas.

Carroll Edward Cole, foi executado, condenado por cinco de 35 assassinatos cometidos atribuídos a ele. Seu primeiro ato de violência quando criança foi estrangular um filhote de cão.

Jeffrey Dahmer, assassino em série, espetava cabeças de gatos, cães e sapos em varas.
No Missouri em 1987, três adolescentes foram acusados de surrar um colega até a morte. Tinham várias histórias de crueldade contra animais. Um disse ter perdido a conta de quantos gatos matou.

Dois irmãos, que assassinaram os pais disseram a colegas de classe, que haviam decaptado um gato.

O fator mais sério e importante a ser pensado sobre este tipo de assassino, é o fato dele não ser um alienado mental. Aparentemente são saudáveis e somente cerca de 5% dos assassinos em série são realmente doentes ou perderam a noção da realidade.
Em uma estatística que na verdade é mundial, as assassinos em série são (no Brasil), homens, brancos, entre 20 e 30 anos de idade, de famílias desestruturadas e com quadros de maus-tratos e/ou foram molestados quando crianças.

Vale lembrar-se disso e observar o mundo ao redor com relação às crianças e aos animais. Proteger os animais, pode e deve também implicar no cuidado e educação da criança.

2 comentários:

Daniella disse...

Muito interessante. Posso chamar então de serial killer aquele criador de pets, que reproduz, não cuida de forma correta, vende por preços absurdos (ou não) e etc etc etc, toda aquela história que conhecemos de "cabo à rabo". Gostei!!

TADZIU disse...

Digamos que ele pode ser um candidato.